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Atualidade / Arquivo

Cinco mil protestam contra fecho das Urgências

O anunciado encerramento do serviço de Urgências no concelho de Arcos de Valdevez está na base do descontentamento. A população garante que só desistirá quando o ministro da Saúde recuar com a decisão.

Hoje a vila de Arcos de Valdevez foi demasiado pequena para a manifestação de cinco mil pessoas que protestaram contra o encerramento das urgências no concelho. A manifestação contou com a participação dos arcuenses, bem como de autarcas locais e ainda de habitantes de Ponte da Barca, que actualmente se socorrem das urgências de Arcos de Valdevez. Também contra as medidas do ministério da Saúde, o líder da concelhia do CDS-PP iniciou ontem uma greve de fome.

Rui Aguiam, presidente da junta de freguesia de Arcos e um dos promotores da manifestação, assegura que o número de pessoas que aderiram ao protesto podem ser confirmados pelo número de t-shirts, com a palavra "Não" gravada, que foram distribuídas e que rapidamente se esgotaram, "não tendo chegado, nem de longe nem de perto, para as encomendas", garante Aguiam.

Francisco Araújo, presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, juntou-se à manifestação e apontou como “inadmissível” o fecho das urgências do concelho. Segundo o autarca esta medida vai deixar os habitantes de algumas freguesias “a mais de uma hora” de um primeiro atendimento. “A nossa luta só acabará quando o ministro desistir”, garantiu Francisco Araújo.

Toda a manhã, durante a manifestação, esteve a funcionar um posto de recolha de assinaturas para um abaixo-assinado que será enviado ao ministro da Saúde, ao primeiro-ministro e ao Presidente da República, exigindo a manutenção das Urgências em Arcos de Valdevez.

Frases como “Pela tua saúde, diz não ao encerramento” ou “Não queremos morrer na estrada”, podiam ser lidos nas faixas colocadas ao longo das fachadas dos edifícios da vila. Na rua gritava-se em uníssono, “Que Deus nos ajude a correr com o ministro da Saúde”.

"Chego lá morto"

Nem autarcas nem população concordam com as propostas governamentais quanto a um serviço de urgência médico-cirúrgico no hospital de Viana do Castelo e dois SUB (Serviço de Urgência Básica), um em Ponte de Lima e outro em Monção.

“Se me der um ataque e tiver que ir para Ponte chego lá morto”, referiu Adriano Teixeira, doente crónico de Rio Frio, freguesia que fica a sete quilómetros de Arcos.

Rui Aguiam questiona a lógica de algumas medidas, “porquê um SUB em Ponte de Lima, quando este concelho está a apenas 20 quilómetros de distância do hospital de Viana do Castelo?”.

O presidente da Câmara insurge-se e garante que não desistirá da luta. “É uma medida inaceitável, incompreensível e extremamente lesiva dos interesses dos cerca de 25 mil habitantes do concelho e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar que ela seja posta em prática”, afirmou Francisco Araújo.

Araújo lamenta ainda que, estas medidas sejam tomadas por responsáveis do Ministério da Saúde “sem conhecerem verdadeiramente a realidade no terreno” e assegura que este encerramento “é um duro golpe” para aquela região e “um total desrespeito” pelas populações locais.