Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Ciclismo durante 23 dias sem Armstrong

Sem o americano Lance Armstrong a pedalar é difícil prever quem se vestirá de amarelo no fim da 93.ª Volta a França em bicicleta. Para já, interessa saber até onde poderá ir José Azevedo, o ciclista português que está entre os favoritos.

Com a ausência do heptacampeão norte-americano Lance Armstrong (sete vitórias consecutivas) e a expulsão dos dois melhores ciclistas envolvidos num escândalo de dopagem organizada em Espanha – o  actual campeão da Volta à Itália, Ivan Basso, da CSC,  e o alemão Jan Ullrich, da T-Mobile, que já venceu a Prova à França –, é imprevisível na fase inicial saber quem vai vestir a camisola amarela depois de chegar aos Campos Elíseos, em Paris. Aos 32 anos, o português José Azevedo é um dos favoritos e poderá chegar entre os dez primeiros. 

Com menos alta montanha e mais quilómetros em contra-relógio, começou sábado, em Estrasburgo, a 93ª edição da Volta à França em Bicicleta, que conta este ano com um total de 20 etapas, mais um prólogo.  «O leque de possíveis vencedores é tão vasto até à próxima semana, que não me atrevo ainda a apontar favoritos», afirmou o director do Volta a Portugal. Joaquim Gomes admite, porém, que o português José Azevedo poderá ,«seguramente», terminar entre os dez primeiros, podendo até mesmo – «se a sorte estiver do seu lado» – chegar a vestir a camisola amarela de campeão.  

Em declarações ao EXPRESSO, o ex-ciclista disse que «só nas últimas e mais difíceis etapas, alta montanha e contra-relógio individuais, quando só restarem dois ou três corredores», é que será possível apontar quem vai ser o campeão. Até lá, estará tudo em aberto. 

Segundo os sites e publicações especializadas, a maior prova do ciclismo mundial - que termina no dia 23 –  tem como favoritos o norte-americano  David Zabriskie, vencedor no ano passado, e o britânico Bradley Wiggins. Nomes que Joaquim Gomes reconhece como fortes mas que, na opinião do director da Volta a Portugal, não excluem  os de muitos outros ciclistas que reúnem igualmente condições para vencer essa edição. «Será uma luta interessante», afirma Joaquim Gomes, lembrando que até á última etapa pode acontecer muita coisa, tais como «quedas, doenças e desidratação», imprevistos que acabam por eliminar um ou outro ciclista. 

A aposta de Joaquim Gomes numa boa classificação de José Azevedo baseia-se no histórico do ciclista português na Volta à França, corrida em que, pela primeira vez, não ombreará com Lance Amstrong, a quem ajudou a conquistar duas das suas sete voltas. Por duas vezes, José Azevedo terminou entre os primeiros: foi o sexto em 2002 e o quinto em 2004. Além do factor «sorte», para que José Azevedo chegue à final será   preciso ainda que «a sua condição física» continue óptima e não seja comprometida pelo «factor idade», afirma Joaquim Gomes.

Ao todo, são 23 dias de ciclismo, 3.653,6 quilómetros de difícil competição, sendo nove etapas para roladores, quatro de média montanha e cinco  de alta montanha, duas nos Pirinéus e três nos Alpes, sendo que três delas acabam mesmo no topo da montanha. Hoje, os corredores enfrentaram a 2ª Etapa (228,5 km) – Obernai/Esch-sur-Alzette. A 3.ª Etapa (216,5 km) – Esch-sur-Alzette/Valkenburg decorrerá amanhã.

História do Volta à França

A Volta a França em Bicicleta foi criada em 1903 por Henri Desgrange, fundador do jornal «L'Auto» (antepassado do diário desportivo francês «LÉquipe», por proposta do jornalista Géo Lefèvre. A ideia era criar uma prova que fizesse concorrência às corridas Paris-Brest-Paris e Bordéus-Paris, promovidas por outros jornais.

A primeira edição contou com a participação de 70 ciclistas, que disputaram seis etapas entre Montgeron e Nantes. No início, tratava-se de uma prova de resistência pura. A ponto de os ciclistas dormirem na beira da estrada, não sendo permitida qualquer tipo de assistência. Desde 2003, a prova só foi interrompida duas vezes, devido às duas Grandes Guerras Mundiais.

Os recordes foram atingidos por Lance Amstrong: sete vitórias consecutivas de 1999 a 2005. Os franceses Bernard Hinault e Jacques Anquetil, o belga Eddy Merckx  (que em 1969 terminou a prova com a camisola amarela do campeão, a verde do primeiro por pontos e a das bolinhas encarnadas do do prémio máximo da montanha) e o espanhol Miguel Indurain, ganharam cinco vezes.

Os países oque mais ganharam foram os franceses (36), Bélgica (18), EUA(10), Itália (9) e Espanha (8).  O Luxemburgo tem quatro vitórias, a Suíça e a Holanda duas cada, enquanto a Irlanda, Dinamarca e Alemanha, apenas uma.

Vinte e cinco portugueses já participaram da prova. Alves Barbosa, em 1956, foi o primeiro, tendo obtido o 10.º lugar. Em 1969, foi a estreia de Joaquim Agostinho, que terminou na 8.ª posição, vencendo duas etapas.  Agostinho viria ainda a obter dois terceiros lugares em 1978 e 1979, terminando seis vezes na lista dos dez primeiros em 13  corridas. Ficou sempre nos 15 primeiros noutras e somente desistiu em 1981. Já Paul Ferreira também obteve uma vitória em etapa em 1984, enquanto Acácio da Silva saiu vitorioso em três (uma por ano em 1987, 1988 e 1989).  Nas últimas edições, José Azevedo é o representante de Portugal.