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China continua sem reconhecer massacre de Tiananmen

Deputados de Hong Kong chumbaram moção que reivindicava a revisão posição da China sobre o que considera "o tumulto contrarrevolucionário" de Tiananmen, há 21 anos.

Os deputados de Hong Kong chumbaram uma moção a reivindicar a revisão da posição de Pequim sobre o movimento pró-democrático dos estudantes em Tiananmen, que 21 anos depois continua a ser considerado um "tumulto contrarrevolucionário".

A proposta, que apelava ainda ao não esquecimento do massacre de 4 de junho, foi lançada pelo presidente do Partido Democrático, Albert Ho, mas acabou por ser chumbada com 15 votos contra e 10 abstenções, apesar de 23 votos favoráveis dos deputados pró-democratas e do independente Leung Ka-lau.

Esta foi a 12.ª vez que a moção, apresentada anualmente ao Conselho Legislativo, foi chumbada.

"Tumulto contrarrevolucionário" sem número oficial de vítimas

Os números da ação militar chinesa sobre os estudantes não são conhecidos e apesar de ao longo dos últimos 20 anos várias listas de nomes terem sido publicadas, principalmente pelo movimento "Mães de Tiananmen", só as autoridades oficiais chinesas sabem quantos estudantes ou seus apoiantes morreram pela ação da ntervenção militar.

O Governo chinês mantém a sua tese de que o movimento foi um "tumulto contrarrevolucionário" e a discussão pública sobre a ação dos estudantes é ainda tabu no país, apesar de ser lembrado anualmente nas duas regiões administrativas especiais da China -- Hong Kong e Macau --, que se regem por um sistema político distinto do do continente.

Um inquérito realizado em maio pela Universidade de Hong Kong revela que 61%de 1015 inquiridos entre a população da ex-colónia britânica defendem que Pequim deve rever a sua posição face aos acontecimentos de 1989 na praça de Tiananmen e 68 por cento consideram que o Governo chinês atuou mal ao decidir pela ação militar sobre os estudantes.

Por outro lado, 63 por cento observam que a situação dos direitos humanos na China melhorou nos últimos 21 anos.

O território de Hong Kong, às portas da China, é há 20 anos palco das comemorações mais importantes da repressão na noite de 03 para 04 de junho de 1989 e foi refúgio e ponto de passagem de numerosos dissidentes de Tiananmen.

Vígilia em homenagem às vítimas

A vigília à luz das velas repete-se na sexta feira, no parque Vitória, em Hong Kong, onde são esperadas mais de 40 mil pessoas, mas antes vão decorrer no mesmo local fóruns de discussão com a presença de personalidades como o cardeal Joseph Zen, que liderou a Igreja Católica da região e tem sido uma voz crítica da China.

No parque Vitória vão estar erigidas as duas estátuas da "Deusa da Democracia", que foram confiscadas pela polícia no fim de semana, uma delas, com 6,4 metros de altura, construída este ano por Chen Weiming, a quem foi impedida na quarta feira a entrada em Hong Kong.

A associação de estudantes da Universidade Chinesa de Hong Kong apresentou esta semana uma proposta para que a estátua ficasse erigida no 'campus' do estabelecimento de ensino, que, porém, recusou a possibilidade ao defender que se irá manter fiel ao princípio da neutralidade política.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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