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Cavaco: Mais-valia de Ano Novo

Cavaco Silva viu reforçado o seu capital de popularidade nuns significativos 4,5%. Os socialistas perderam a maioria absoluta e partilham com o Governo os efeitos da crise social.

PS Os sociais-democratas capitalizaram menos de metade das perdas socialistas. É uma progressão muito lenta para quem quer vencer em 2009. PSD Os sociais-democratas capitalizaram menos de metade das perdas socialistas. É uma progressão muito lenta para quem quer vencer em 2009. CDU Um começo de 2008 algo sombrio para a coligação comunista. Por este andar, o terceiro lugar nas intenções de voto pode estar em perigo. BE O Bloco de Esquerda já conseguiu recuperar quase todo o terreno perdido para o PCP. Mas subsiste a dúvida: conseguirá ir mais além? CDS O reforço do capital de popularidade de Paulo Portas traduziu-se num aumento apenas residual das intenções de voto no CDS.

A perda da maioria absoluta

O Partido Socialista perdeu a maioria absoluta e partilhou com o Governo os efeitos da crise social, enquanto José Sócrates, com um ganho de popularidade de 1,6%, arrecadou a melhor parte dos sucessos europeus. De acordo com a sondagem Expresso/SIC/Rádio Renascença/Eurosondagem, os resultados projectados das intenções de voto apontam para uma quebra de 0,9% do PS nos últimos 30 dias, fixando-se nos 43,3%, portanto abaixo da maioria absoluta. Os socialistas perderam para o PSD o controlo da região Norte e do eleitorado com mais de 60 anos, em parte devido ao ganho de 0,4 dos sociais-democratas, agora com 32,5%. À direita, o CDS teve um incremento residual (+0,1%) e continua na sondagem como quinta força política (6%), atrás de um Bloco de Esquerda que com 6,6% continua a recuperar à custa da CDU. A coligação liderada pelos comunistas sofreu nova erosão (-0,6%) e fixou-se nos 8%, acompanhando o desgaste sensível do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, que com uma perda de 1,3% passou a ser o único líder partidário com saldo negativo (-0,3%). Um mês difícil também para Francisco Louçã (BE) e Luís Filipe Menezes (PSD) ao perderem de 0,8% e 0,7%, respectivamente, no índice de simpatia do eleitorado. Em contrapartida, Paulo Portas (CDS/PP), com uma agenda interna centrada em temas como a natalidade e o Estado 'mau pagador', conseguiu igualar os rendimentos europeus de José Sócrates: +1,6%. Só que o saldo favorável de 30,6% coloca o primeiro-ministro a enorme distância do presidente centrista, que alcançou agora os 4,5 positivos.

Uma vez mais o Governo pagou a factura da contestação social (-1,9%), que nos últimos 30 dias conheceu um novo impulso com o fecho das urgências dos hospitais e o anúncio dos aumentos do pão, dos transportes, da energia, entre outros. O Executivo fechou com um saldo negativo de 8,8%, fruto de uma derrapagem constante nos últimos meses de 2007 que tem sido acompanhada à distância pela Assembleia da República. O Parlamento voltou a merecer nota negativa dos entrevistados (-1,3%) e o saldo caiu para uns desconfortáveis 4,9% abaixo da linha de água.

Nos antípodas encontra-se o Presidente da República, que viu reforçado o seu capital de popularidade nuns significativos 4,5%, um resultado porventura influenciado pelas críticas veiculadas na Mensagem de Ano Novo a sectores da governação com grande impacto social, como a economia, justiça, educação e saúde. Cavaco Silva atinge um saldo positivo de 52,5%, uma marca sem paralelo no universo político nacional.

José Sócrates Ao contrário do mês anterior, os triunfos europeus ajudaram a consolidar o prestígio e a popularidade do primeiro-ministro Paulo Portas O líder centrista preferiu marcar a agenda interna e deu-se muito bem com isso. As campanhas a favor da natalidade e contra o Estado 'mau pagador' renderam-lhe um bom pecúlio eleitoral Luís Filipe Menezes O líder 'laranja' não colheu dividendos do apoio dado aos protestos das populações afectadas pelo encerramento das urgências hospitalares Francisco Louçã O protagonismo parlamentar do coordenador do Bloco não teve um eco muito positivo na opinião pública Jerónimo de Sousa Os efeitos colaterais do 'caso Luísa Mesquita' ainda se fazem sentir. Jerónimo esforçou-se em vão

O Presidente da República recuperou com juros as perdas do mês anterior. Com um ganho de 4,5%, Cavaco Silva voltou a ultrapassar confortavelmente a fasquia dos 50% de saldo global positivo para se fixar agora nos 52,5%. Pelo contrário, Governo e Assembleia da República continuaram em movimento descendente com perdas de 1,9% e 1,3%, respectivamente. O Executivo socialista caiu para os 8,8% negativos e o Parlamento navega em águas um pouco menos geladas: -4,9%.

A sondagem, realizada pela Eurosondagem para o Expresso, SIC e Rádio Renascença foi efectuada de 2 a 8 de Janeiro de 2008. Teve por objecto quatro perguntas sobre o BCP, uma sobre a mensagem de Ano Novo do Presidente da República e outra sobre o desempenho do líder do PSD, Luís Filipe Menezes. O universo é uma população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando em lares com telefone fixo. A amostra foi estratificada por região: Minho, Douro e Trás-os-Montes (20%), Área Metropolitana do Porto (14,7%), Beiras, Estremadura e Ribatejo (28,8%), Área Metropolitana de Lisboa (26,6%), Alentejo e Algarve (9,9%). Foram efectuadas 1269 tentativas de entrevista telefónica, sendo que em 20,4% houve recusa de resposta. Foram validadas 1010 entrevistas. A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo. Desta forma resultou, em termos de sexo: feminino 52% e masculino 48,%; e no que concerne à faixa etária: dos 18 aos 25 anos, 15,7%; dos 26 aos 35, 19,8%; dos 36 aos 45, 19,1%; dos 46 aos 59, 22%; e mais de 60, 23,4%. O erro máximo da amostra é de 3,08% para um grau de probabilidade de 95%.