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Caso TVI: PS aponta "omissões" à proposta de relatório

Ricardo Rodrigues, o coordenador dos socialistas na comissão de inquérito à tentativa de compra da TVI, diz que "manter no relatório a alegação não provada de que José Sócrates conhecia o negócio seria adulterar o que de facto foi apurado na comissão".

O coordenador dos socialistas na comissão de inquérito à tentativa de compra da TVI, Ricardo Rodrigues, apontou hoje várias "omissões" à proposta de relatório e que disse demonstrarem que não houve interferências políticas.

"Apostado em sustentar, contra todas as evidências, que a tentativa de negócio PT/TVI teve motivações e interferências políticas, o relator optou por ignorar totalmente tudo o que a comissão apurou em sentido contrário", acusou Ricardo Rodrigues.

Em conferência de imprensa, o deputado destacou os testemunhos dos responsáveis da PT que "confirmaram que o negócio se inscrevia nos interesses estratégicos empresariais há muito definidos pela própria PT".

"Omite até que o presidente da Comissão Executiva assumiu diante da comissão parlamentar de inquérito, sob juramento, a autoria da ideia de procurar concretizar o negócio proposto" e que "todos os intervenientes no negócio, do lado da PT, da PRISA e da Media Capital, assumiram o caráter estritamente empresarial da operação e negaram peremptoriamente qualquer interferência", disse.

"Conclusão desafia toda a lógica"

"Conclui o relator que a prova de que o Governo interferiu no negócio é o facto de o Governo não ter interferido no negócio. Esta conclusão desafia toda a lógica", afirmou.

No relatório, João Semedo Primeiro refere que o Governo interveio em duas fases diferentes e de duas maneiras diferentes: "primeiro, a partir de data desconhecida e até ao dia 25 de junho, desde que o primeiro ministro e o Governo tomaram conhecimento do negócio, o Governo deixou as negociações evoluir e progredir sem que tenha manifestado qualquer reserva - económica, política ou de qualquer outra natureza -- à aquisição pela PT de uma participação na TVI/Media Capital".

Depois, no dia 25 de junho, o Governo toma a decisão de "opor-se ao negócio perante o debate público desencadeado sobre o caso, a intervenção do Presidente da República e a discussão no Parlamento".

Relatório "pouco sério"

Assumindo votar contra o relatório se as conclusões não forem alteradas, Ricardo Rodrigues concluiu que o relatório "é pouco sério" e defendeu que "manter no relatório a alegação não provada de que o primeiro ministro conhecia o negócio seria adulterar o que de facto foi apurado na comissão".

Ricardo Rodrigues disse que vai propor a eliminação "de todas as referências ao conteúdo de alegadas escutas" referindo-se a passagens do relatório em que João Semedo refere notícias do semanário Sol - que publicou excertos de escutas - e os comentários públicos do primeiro ministro sobre aquelas notícias.

Quanto aos restantes partidos, o PSD decidiu não apresentar propostas de alteração, optando por entregar uma declaração de voto. O CDS-PP e o PCP só decidem terça feira. O prazo para entregar propostas de alteração termina terça feira às 15h00.

A próxima reunião da comissão de inquérito foi marcada para sexta feira e, caso não seja possível terminar os trabalhos, poderá realizar-se outra no sábado.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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