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Atualidade / Arquivo

Carros acidentados chocam Lisboa

Drama das estradas portuguesas em exposição no Terreiro do Paço. Trinta e seis veículos acidentados contam 36 histórias de vida e de morte.

“Rita, 23 anos, umas vodkas a mais: perdeu o controlo do carro e teve morte imediata”. Entre vidros estilhaçados e muita chapa amolgada, esta é apenas uma das histórias dos 36 veículos sinistrados em exibição na exposição “Crash – Sinistralidade Rodoviária em Foco”, no Terreiro do Paço, em Lisboa.

“Alertar a população para a prevenção rodoviária chocando-a com a visão directa do resultado dos acidentes” é a grande aposta da exposição, que se insere na "Semana da Mobilidade", em Lisboa. Simuladores de acidentes, testes de alcoolémia e visão, recomendações sobre regras de segurança e demonstrações de desencarceramento são outras das actividades que os cerca de 20 mil visitantes diários têm tido a oportunidade de experimentar.

No meio de gargalhadas e promessas de respeito pelo excesso de velocidade, os simuladores de condução têm sido os preferidos dos mais novos, que podem pela primeira vez experimentar a sensação de pegar num volante. “Nunca pensei que fosse tão difícil”, suspira uma adolescente depois de ter chocado virtualmente contra um contentor do lixo. “Quando tirar a carta vou ter muito cuidado”.

Já os mais velhos preferem ler as histórias verídicas de cada viatura acidentada e tirar dúvidas com os polícias e bombeiros que acompanham a exposição. “É uma desgraça ver o resultado dos acidentes”, desabafa uma idosa que, embora nunca tenha conduzido, já “apanhou alguns sustos” em viagens com o marido. “A iniciativa é boa. Ver este triste espectáculo devia educar as pessoas mas acho que, quando saírem daqui e pegarem no carro, nunca mais se lembram”.

No entanto, a lembrança de um acidente recente é algo muito presente na memória de João, um jovem condutor de 19 anos. Acompanhado pela namorada, observava cada carro e lia cada história como se da sua se tratasse. “Há três meses bati num carro e fui projectado contra uma parede. Ver isto está a ser uma sensação muito forte e angustiante”, conta João, que “ainda não arranjou coragem” para voltar sentar-se ao volante. O jovem condutor garante que “só depois de se passar por elas é  que se dá o devido valor à vida.  Espero que a exposição ajude os jovens a terem mais consciência a conduzir”.

O drama português

Dados da organização Mundial de Saúde revelam que anualmente morrem, em todo o mundo, 1,2 milhões de pessoas na estrada e mais de 50 milhões ficam feridas.

Segundo o Plano Nacional de Segurança Rodoviária, em Portugal morrem, em média, três pessoas por dia e ficam feridas perto de 150. A taxa de acidentes per capita é das mais elevadas da Europa, estando Portugal entre os dez países europeus com pior desempenho na estrada.

Excesso de álcool e de velocidade, uso do telemóvel, falta de descanso, carga a mais ou simplesmente uns pneus carecas são alguns dos motivos dos sinistros que provocaram a morte e os ferimentos graves dos condutores dos 36 veículos em exposição. “As pessoas ficam chocadas pelo nível de destruição a que pode chegar um carro acidentado”, explica a organização do evento, que pretende conseguir mostrar aos portugueses “que a mudança de comportamento começa em cada um”.

Para que o drama diário dos acidentes  nas estradas portuguesas não seja esquecido, a "Crash - Sinistralidade Rodoviária em Foco" vai ter as portas abertas até dia 24 de Setembro, no Terreiro do Paço, em Lisboa.