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Carlos Lopes, atletismo

Campeão mundal e paralímpico, é o atleta mais medalhado de sempre da história do desporto para deficientes em Portugal.

«Diz-se que quem corre por gosto não cansa, mas a verdade é que às vezes cansa mesmo. É preciso treinar muito, ser-se persistente e... gostar». E Carlos Lopes gosta desde pequenino, quando «cronometrava a corrida de escola para casa». Apesar de «ser o menino mais rápido da rua», nunca acreditou que «um cego pudesse chegar a atleta de alta competição».

Agora, já com 18 anos de carreira e 23 medalhas no currículo, é campeão paralímpico, recordista mundial e dispensa apresentações no mundo do atletismo para deficientes. Tudo apesar de não ver as linhas de uma pista de «tartan» – é portador de deficiência visual desde que nasceu, o que não o impediu de ser um vencedor.

Aos 18 anos, ao entrar para a faculdade, conheceu as pessoas certas para dar o salto para o atletismo de alta competição. Dois anos depois já tinha ganho três medalhas de ouro no Campeonato do Mundo, na Holanda. A partir daí o seu nome constou sempre nas maiores provas internacionais.

Carlos Lopes consegue conciliar a profissão de psicólogo com o treino diário, sem desmoralizar com «a falta de apoio» do país pelo qual veste a camisola. «Em Portugal as bolsas de um atleta deficiente de alta competição rondam os 350 euros mensais e chegam constantemente com atrasos significativos. Dá para ser profissional nestas condições?» Talvez por isso, não pensa em Portugal quando sobe ao pódio. «Penso principalmente em mim. Pode parecer egoísmo, mas foi um esforço muito meu e do meu treinador, Nuno Alpiarça, e sinto que valeu a pena». O sabor das vitórias é partilhado com o seu atleta-guia e amigo, que o acompanha em todas as provas.

Com 37 anos, a sua próxima grande meta é o apuramento para os Paralímpicos de 2008. Quanto ao fim da carreira, previsto para a mesma altura, continua «tudo em aberto», porque este ano bateu novamente o seu recorde pessoal nos 100 metros. «Se acreditarmos em nós, às vezes conseguimos surpreender-nos».

ATLETISMO

O Atletismo destina-se a atletas com deficiências motoras, visuais e com paralisia cerebral, nos sectores masculinos e feminino.

Os atletas com deficiências motoras e paralisia cerebral, podem competir em cadeira de rodas, se a sua capacidade funcional principalmente ao nível dos membros inferiores for nula ou muito reduzida. Os atletas com deficiência visual cegos e alguns amblíopes correm com a ajuda de um atleta-guia.

O programa de provas divide-se em pista e campo, consoante sejam corridas, velocidade, meio-fundo e fundo e concursos, saltos e lançamentos.

Nos Jogos Paralímpicos existem praticamente todas as provas dos programa Olímpico, incluindo a Maratona, excepto o lançamento do martelo, salto com vara e as corridas de obstáculos e barreiras.

É modalidade do Programa Paralímpico desde os primeiros Jogos em Roma no ano de 1960.