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Cardeal-Patriarca admite fase "delicada" nas relações com o Estado

D.José Policarpo considera que "há forças na sociedade que não querem a presença da Igreja"

Rui Ochôa

As relações entre a Igreja e o Estado serão pacificadas através do diálogo, disse esta terça-feira D. José Policarpo. Que admitiu "existirem forças na sociedade que não vêem com bons olhos" a presença da Igreja.

Monica Contreras

A Diocese de Lisboa quer que o Estado englobe na rede do pré-escolar o que "há de melhor" nas instituições da Igreja, disse hoje o cardeal-patriarca durante um encontro com jornalistas. "Espero que o Governo não faça o mesmo que fez há uns anos quando abriu escolas à porta das nossas escolas", acrescentou. O Cardeal-Patriarca considera mesmo um desperdício para a nação excluir da rede que está a ser desenhada pela Administração Central creches e jardins de infância ligados à Igreja.

O ano passado, com o alargamento do horário escolar das crianças do 1º ciclo para as 17h30, muitos ATL´s foram obrigados a fechar (mais de 70 na Diocese de Lisboa). Se a política para os ATL seguir uma filosofia semelhante, a questão voltará a colocar-se: um desperdício de recursos humanos e de instalações, lembrou D. José Policarpo. O cónego Francisco Crespo, na intervenção que fez neste encontro, sublinhou que o problema das indemnizações a trabalhadores de ATL já foi colocado ao Governo.

O tema da assistência religiosa e espiritual nos hospitais não ficou de fora. "O projecto está ainda numa fase muito preliminar e o último projecto conhecido revela um absoluto desconhecimento da pastoral", frisou o cardeal. Recorde-se que neste momento o diploma que estabelece as regras da presença de ministros das várias confissões religiosas nos hospitais está nas mãos do primeiro-ministro, depois da polémica surgida em torno de um projecto saído do Ministério da Saúde.

D. José Policarpo anunciou ainda a visita, no início de Novembro, dos bispos diocesanos portugueses a Roma. Será o primeiro encontro com o Papa Bento XVI. Além de uma reunião conjunta com o Papa, cada bispo terá um encontro individual com o líder dos católicos.