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Caos regressa aos aeroportos sexta-feira

Foi esta a forma encontrada pelo pessoal de assistência em terra da Groundforce para protestar contra horas extraordinárias e troca de turnos.

Depois da greve dos pilotos, que provocou o cancelamento de 65 voos da TAP e prejuízos de cerca de um milhão de euros, está agendada para sexta-feira uma paralisação dos trabalhadores da empresa de assistência aos aviões Groundforce.

Segundo explicou à agência Lusa José Simão, do Sindicato dos Trabalhadores de Aviação e Aeroporto (SITAVA), os trabalhadores da Groundforce, vinculados a quatro sindicatos, iniciam sexta-feira, entre as 15h e as 17h30, uma greve contra horas extraordinárias e troca de turnos.

"A greve terá início amanhã [sexta-feira] com uma paralisação total entre as 15h e as 17h30 para permitir que os trabalhadores participem num plenário, em que serão esclarecidos sobre o que está em causa nesta greve", afirmou José Simão, avançando que a esta primeira paralisação se seguirão períodos parciais até 31 de Dezembro.

"Além deste plenário, em que, de certeza, serão aprovadas formas de luta mais agravadas, às 00h00 de sábado entrará em vigor um pré-aviso de greve a todo o trabalho suplementar e à troca de turnos, que é uma prática recorrente", acrescentou o dirigente sindical.

Os sindicatos que convocaram a greve acusam também a empresa de assistência em terra aos aviões Groundforce de estar a "impor uma revisão salarial", acordada em Setembro apenas com o Sindicato dos Técnicos de Handling dos Aeroportos (STHA), que estipula aumentos salariais de três por cento.

No entanto, e de acordo com José Simão, "o acordo que a Groundforce assinou com essa estrutura sindical, deixa de fora 805 dos 2.900 funcionários da empresa de "handling", nomeadamente os trabalhadores do grau iniciado e do grau 1", o que consititui uma "discriminação salarial".

"Nós defendemos que o aumento deve ser para todos porque todos trabalharam", afirmou o dirigente do SITAVA, afiançando que os sindicatos que convocaram esta greve "não aceitarão esta imposição em circunstância alguma, porque é uma violação da lei sindical".

Contactado pela agência Lusa, o porta-voz da empresa de assistência em terra aos aviões, escusou-se a comentar "os argumentos que originaram esta greve", afirmando apenas que "os quatro sindicatos que convocaram a greve estiveram envolvidas no processo de negociações desde o seu início".

A greve foi convocada pelos Sindicatos Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil, dos Trabalhadores de Aviação e Aeroportos, dos Quadros de Aviação Comercial e das Indústrias Metalúrgicas e Afins.

A Groundforce é responsável por cerca de 80% do movimento aeroportuário, nas suas vertentes de atendimento a passageiros, "check-in", recolha e entrega de bagagens e transporte de passageiros e bagagens entre os terminais e os aviões.

Além da greve dos funcionários da Groundforce, a actividade nos aeroportos vai ainda ser afectada pela paralisação do pessoal de voo da aviação civil, agendada para domingo, segunda e terça.

A greve do pessoal de voo da aviação civil foi convocada pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) pela equiparação dos direitos dos trabalhadores da companhia aérea Portugália aos da TAP, que recentemente adquiriu a empresa regional.