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Canadá: família deportada chega hoje aos Açores

O derradeiro apelo do Governo português não teve qualquer efeito e a família de dez portugueses chega hoje a Ponta Delgada. À sua espera estará uma equipa técnica do Governo regional mobilizada para apoiar este caso de deportação.

A família de dez portugueses deportada pelas autoridades canadianas tem chegada prevista para hoje de manhã ao aeroporto de Ponta Delgada, nos Açores, de onde seguirá depois para a sua nova morada em Rabo de Peixe.

Na quinta-feira, os dez membros da família Sebastião tinham as malas feitas e pouca vontade de partir, acreditando num "milagre" que garantisse a sua permanência no Canadá.

A família é constituída por Paulo e Maria Irene de 46 e 44 anos respetivamente, os quatro filhos (Marília, 27, Vanessa, 23, Paulo Júnior, 19, e Beatriz, 13) e quatro netos, todos abaixo dos cinco anos e que já nasceram no Canadá.

Com os portugueses viaja também Erdogan Topyurek, um cidadão turco marido de Marília Sebastião, pai de duas das quatro crianças, e que tem autorização de residência no Canadá, para se certificar de que a família fica bem instalada em Rabo de Peixe.

Governo português pede clemência

Esgotadas as possibilidades de recurso legal, o Governo português dirigiu na segunda-feira cartas a dois ministros canadianos pedindo um "ato de clemência", que não conseguiu inverter a decisão de repatriar a família Sebastião.

O advogado da família, Tony Dutra, disse na quinta-feira ter informação do gabinete do primeiro-ministro canadiano que Stephen Harper iria ainda analisar o caso, mas nenhuma decisão foi comunicada antes do embarque no avião da Sata que transportou os portugueses para os Açores.

No Canadá desde 2001, a família foi detetada pelas autoridades canadianas em 2007 por estar em situação ilegal no país.

Os portugueses fizeram então um pedido de imigração para obter estatuto de refugiado e, posteriormente, um pedido de autorização de residência no Canadá por razões humanitárias, os quais foram indeferidos pelas autoridades canadianas.

Paulo Sebastião disse na segunda-feira à Lusa ter já os dez bilhetes de avião para Ponta Delgada, nos Açores, com vista a regressar à localidade de Rabo de Peixe, de onde é natural e onde a família "não tem nada".

Governo Regional oferece ajuda

Na terça-feira, o Governo Regional dos Açores anunciou um plano de intervenção, através da Direção Regional das Comunidades e do Instituto para o Desenvolvimento Social dos Açores (IDSA), que inclui a preparação de uma equipa técnica para a receção dos portugueses logo à sua chegada ao aeroporto de Ponta Delgada.

A equipa técnica está mobilizada para apoiar este caso de deportação e, após as tarefas de receção e alojamento, "desenvolverá todas as ações necessárias à integração na escola por parte dos quatro menores que integram a família, promovendo, ao mesmo tempo, o enquadramento dos seus restantes membros", adiantou o executivo.

Contactada pela Lusa após este anúncio, a família manifestou-se comovida.