Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Campo de tiro de Monsanto mais perto de fechar as portas

Um despacho do presidente da autarquia, António Costa, e do vereador José Sá Fernandes deita abaixo o muro que permitiria ao Clube de Tiro manter-se aberto.

A Câmara Municipal de Lisboa, por decisão conjunta de António Costa e José Sá Fernandes (vereador do Ambiente e Espaços Verdes), rejeitou liminarmente a hipótese de construção de um muro de 615 metros de extensão (com cinco de altura) no Parque de Monsanto. Para a autarquia, tal violaria o Plano Director Municipal. O projecto fora apresentado pelo Clube Português de Tiro ao Chumbo como medida de minimização de impacte ambiental, que pretendia assim manter em funcionamento o campo de tiro. O teor do despacho foi dado a conhecer na tarde de quinta-feira por José Sá Fernandes (António Costa encontra-se no estrangeiro).

No dia 4 de Setembro, a Câmara determinara a suspensão da actividade de tiro naquele local, mas deu ao Clube a possibilidade de apresentar soluções minimizadoras, de acordo com as exigências dos serviços da autarquia. O processo está em curso. Segundo as propostas do Clube, tal assentava, em grande medida, na construção de um muro, para reduzir os níveis de ruído.

Na segunda-feira, na sessão de câmara, após uma votação renhida (sete votos contra seis, com quatro abstenções), a autarquia abrira uma janela à continuação do campo de tiro no local. Por proposta do PSD, "até que possa ser decidida a continuidade do clube nestas ou noutras instalações", permitiu-se "retomar a actividade de tiro" em Monsanto. Os votos contra a proposta foram do PS (com excepção de Cardoso da Silva, que se absteve) e de José Sá Fernandes.

No dia seguinte, Costa e Sá Fernandes assinaram o despacho que, sem colidir formalmente com o sentido da decisão aprovada em sessão de câmara, acaba por provocar uma pequena reviravolta no caso: o campo de tiro perde a munição com que contava para continuar a funcionar.

"Não queremos comentar a decisão. Vamos, certamente, recorrer nas instâncias próprias e a nossa resposta terá uma componente técnica e jurídica. Mas estranhámos muito que tenha sido invocado o Plano Director Municipal para recusar o nosso projecto de minimização de impacte ambiental. Nunca, em 14 anos de reuniões entre o Clube de Tiro de Monsanto e a Câmara, esse motivo foi invocado para impedir a aprovação dos projectos que apresentámos. Estranhamos que esta decisão tenha sido tomada pouco mais de 24 horas após uma deliberação da Câmara ter aberto um caminho de diálogo, com vista a uma solução possível, que satisfazia os interesses dos praticantes de tiro e os cuidados ambientais"

Carlos Santos Ferreira, presidente do Clube Português de Tiro com Chumbo

"O despacho da Câmara é um caso exemplar de deslealdade democrática. Antes de haver uma notificação ao Clube de Tiro da deliberação da Câmara (tomada na segunda-feira), o vereador do pelouro e o presidente da Câmara avançam com um despacho que inviabiliza a proposta avançada. Vamos pedir explicações sobre esta falta de respeito pelas regras democráticas e vamos solicitar o agendamento da questão para a próxima sessão de câmara"

Fernando Negrão, vereador do PSD

"O indeferimento liminar põe em causa não apenas a continuidade da actividade do clube como a própria decisão da Câmara que a autorizou. Vamos propor que esta matéria seja reagendada com urgência, a fim de se encontrar uma alternativa séria e viável, em Monsanto ou noutro local, a designar pela Câmara de Lisboa"

Helena Roseta, vereadora dos Cidadãos por Lisboa

"Não gostaram que a proposta fosse aprovada e então nem deixaram que se tornasse eficaz"

Carmona Rodrigues, vereador do Movimento Lisboa com Carmona

"Até que enfim que alguém não contradiz o parecer dos técnicos. Até hoje, as decisões têm sido sempre políticas"

Artur Lourenço, associação ambientalista Plataforma por Monsanto