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Bonga canta Angola há 50 anos

Em entrevista ao EXPRESSO, Bonga falou do seu percurso profissional, desde os tempos do Benfica ao sucesso internacional na música.

Com 33 álbuns no currículo e milhares de concertos um pouco por todo o mundo, o cantor angolano Bonga está a comemorar 50 anos de carreira. Para assinalar data, o artista africano mais popular em Portugal vai dar hoje um espectáculo na Aula Magna, que promete ser “uma festa de reencontro da lusofonia”.

“Dar a conhecer a cultura africana ao mundo” tem sido o grande objectivo de Bonga que, aos 64 anos de idade, conta já com 50 de carreira activa e 34 de reconhecimento internacional. De Paris a Nova Iorque, o artista percorreu o mundo, transformando-se num embaixador da música angolana no estrangeiro.

Embora tenha começado a cantar ainda na adolescência, o seu percurso profissional em Portugal começou no desporto. Aos 23 anos, José Barceló de Carvalho (nome verdadeiro) foi convidado pelo Sport Lisboa e Benfica a integrar a equipa de atletismo, depois de ter conquistado, em Angola, os maiores títulos da modalidade.

A música voltou a surgir mais tarde, na Holanda, onde teve de se exilar após alguns conflitos com o governo do Estado Novo. Em 1972, trocou definitivamente as pistas de «tartan» pelos ritmos africanos e adoptou o nome Bonga, que significa: “aquele que vê, aquele que está à frente e em constante movimento”.

Nos seus primeiros álbuns, “Angola 72” e “Angola 74” , Bonga cantou a revolução e o amor à pátria, tornando-se num dos símbolos da libertação angolana. No entanto, a corrupção e a “falsa paz” em Angola nunca o levaram a ter vontade de regressar ao seu país.

A sua vida tem sido dividida entre Portugal, onde tem a família, e França, onde executa os seus projectos profissionais. Na bagagem estão já mais de 300 composições e 33 álbuns, num percurso recheado de sucesso internacional.

Lisboa foi a cidade eleita para o espectáculo de comemoração dos seus 50 anos de carreira. O concerto, que contará com a participação de convidados ilustres, como os Vaya con Dios e Eduardo Paím, vai ser hoje, pelas 21 horas, Aula Magna.