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Bombas israelitas matam observadores

Israel ignorou os apelos da ONU para parar com o bombardeamento de Khiaim. O «bunker» que abrigava quatro observadores acabou por ser atingindo, causando a sua morte.

AS NAÇÕES Unidas pediram repetidamente às forças israelitas que parassem de bombardear a sua base de Khiaim, no Sul do Líbano, nas horas que antecederam a morte dos seus quatro observadores, revelou uma fonte militar da ONU.

Cerca de 20 bombas ou obuses caíram sobre esta base da ONU ou à sua volta, até que uma bomba finalmente penetrou no «bunker» e matou os quatro observadores estrangeiros, informou a mesma fonte.

À medida que cresce a indignação internacional com a morte continuada de civis pelas forças israelitas no Líbano, diversos responsáveis da Organização Supervisora do Tratado da ONU (UNTSO), a que pertenciam os quatro observadores militares, recusavam especular sobre as causas do incidente.

Mas uma fonte das Nações Unidas que seguiu de perto o incidente revelou que durante o dia de terça-feira a UNTSO e o seu braço armado, a Força Interina da ONU no Líbano (UNIFIL), protestaram repetidamente junto das autoridades israelitas relativamente aos ataques que precederam o bombardeamento fatal nessa noite.

O tipo de fogo não deixou dúvidas sobre a sua origem, pois só Israel possui armas com peso suficiente para penetrarem no bunker fortificado onde os quatro observadores estavam abrigados. A única coisa que continua por esclarecer é como e porquê um avião israelita foi bombardear uma posição da ONU claramente identificada.

«Este posto de observação existe há 20 anos. Nesse tempo era a linha de fronteira. Israel conhece estas posições e tiveram duas semanas para se concentrarem nesta área, registarem os alvos e os pontos que não queriam atingir. É esse o comportamento habitual», disse a fonte a ONU.

«Os «bunkers» são grandes e brancos – podem ser vistos a muitos quilómetros de distância e estão iluminados à noite. Mesmo que os israelitas tivessem chegado da Lua há duas semanas, a verdade é que estão a disparar repetidamente sobre esta área. Como erro de controlo de fogo é um absurdo. Se disparam toda a tarde sem cessar sobre uma posição destas, então é normal que alguma coisa acabe por correr mal».

A UNTSO foi a primeira missão de manutenção de paz da ONU, constituída em 1948 para supervisionar as linhas de cessar-fogo entre o novo Estado de Israel e o Egipto, o Líbano e a Síria. Tem destacamentos nos quatro países e a base de al-Khiaim era um dos quatro postos de observação ao longo da sensível fronteira israelo-libanesa.

As bases têm geralmente uma guarnição de quatro oficiais internacionais com o posto de capitão ou major, que fazem a observação a partir da base e patrulhas em veículos identificados claramente com as letras UN. No Líbano a UNTSO trabalha em estreita colaboração com a UNIFIL, uma força armada muito maior, introduzida na sequência da invasão do Sul do Líbano em 1978 por Israel.

A UNTSO tem o seu quartel-general em Jerusalém, para onde se espera que os corpos dos quatro soldados mortos – um canadiano, um austríaco, um chinês e um finlandês – sejam evacuados antes de serem repatriados.

As relações entre a Força de Defesa Israelita e as missões de observação e manutenção da paz da ONU foram sempre algo tensas. Muitos israelitas olham a ONU com hostilidade, acusando a organização de tomar o partido dos seus inimigos: «UN – Unwanted Nobodies» [ONU – insignificantes indesejados] foi durante muito tempo um autocolante popular fixado nos carros israelitas.

Tradução de Aida Macedo