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Bombardeamentos fazem cada vez mais vítimas

Só na segunda-feira os bombardeamentos israelitas fizeram 50 mortos.

OS BOMBARDEAMENTOS de Israel no Líbano parecem estar a intensificar-se e as autoridades afirmam que só na segunda-feira o número de mortes foi de 50 – até hoje o dia mais sangrento para os civis libaneses.

Três soldados israelitas também foram mortos em combates no sul do Líbano,  elevando para 97 o número de mortes desta guerra em Israel, quase dois terços deles combatentes mortos em acção.

No Líbano o número de mortes confirmadas já ultrapassa os 600, dos quais 90 por cento são civis, embora o Governo libanês afirme que até agora já terão morrido 925 pessoas (os dados avançados esta semana pela UNICEF estão bastante próximos deste último número).
No mais recente ataque contra Beirute, uma bomba aérea israelita destruiu um edifício de apartamentos de sete andares num subúrbio do sul da cidade. Segundo as autoridades, a bomba provocou 18 mortos e 30 feridos.
Trabalhando de noite em ruas obstruídas pelos escombros, os salvadores tiveram de escavar as ruínas com as mãos nuas para retirar os vivos e os mortos.

Apesar dos esforços da ONU para intermediar um cessar-fogo, Israel intensificou na segunda-feira os seus ataques aéreos, anunciando que qualquer veículo que se desloque a sul do rio Litani, no sul do Líbano, é agora automaticamente um alvo a abater.

O Governo israelita diz que as suas novas «limitações» irão impedir os guerrilheiros do Hezbollah de deslocarem mísseis para posição de fogo sobre o norte de Israel.
As Nações Unidas disseram que a Força de Defesa Israelita também tinha comunicado que os técnicos das Nações Unidas se arriscam a ser atacados pelos aviões israelitas se tentarem reparar as pontes e aterros que ligam a arrasada região de Tiro ao resto do Líbano.

A única ligação humanitária da região com o mundo exterior foi fechada pelas bombas israelitas há dois dias e os grupos de assistência internacional no Líbano dizem que nos último dias a FDI se recusou a prometer não atacar as colunas de veículos de auxílio na zona, o que os forçou a suspender as operações.

Richard Huguenin, porta-voz do Comité Internacional da Cruz Vermelha, disse que o sul estava de facto sob bloqueio israelita. «O que fazer agora?» perguntou. «Estamos a receber chamadas telefónicas de zonas isoladas no sol perto da fronteira de pessoas que precisam de alimentos e medicamentos». Muitas pessoas, especialmente os mais velhos e os mais vulneráveis, permaneceram na área apesar dos ataques aéreos e de artilharia de Israel, segundo disse, havendo uma necessidade urgente de abrir pelo menos um corredor humanitário que Israel prometesse não atacar.

«Tem de ser aberta uma linha de vida para esta região do país. Está cercada, não podem entrar nem sair barcos e as estradas estão bloqueadas» , disse ele.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que a guerra no Líbano «parecia seguir um padrão de violação do direito internacional» e destacou o bombardeamento, em 28 de Julho, de uma casa particular em Canã, sul do Líbano, onde terão morrido entre 28 e 54 pessoas.

Incitou a que fosse realizada uma investigação «exaustiva» ao incidente, em que pilotos israelitas mataram pelo menos 14 crianças ao bombardearem a casa onde dormiam.
Desde que o Hezbollah desencadeou o conflito com uma incursão fronteiriça em 12 de Julho, a força aérea israelita atacou não apenas as infra-estruturas vitais do Líbano mas também casas, refugiados em fuga, comboios de assistência e ambulâncias da Cruz Vermelha, matando centenas de pessoas com armas de precisão teleguiadas.

Quase mais um milhão de libaneses fugiram do sul, obedecendo àquilo que Israel chama «avisos» para abandonarem as suas casas ou enfrentarem os bombardeamentos. As tropas israelitas fizeram pequenas incursões terrestres no sol do Líbano, sabendo-se que o executivo deseja estabelecer uma zona tampão desabitada  ao longo da fronteira, com vários quilómetros de largura.
Os mísseis de longo alcance do Hezbollah atingiram e chegaram mesmo a ultrapassar Haifa, matando mais de 33 civis e obrigando centenas de milhares de pessoas a abandonarem as suas casas.