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Bloco salva arranque do TGV

Francisco Louçã anunciou esta tarde que o BE vai votar contra a iniciativa do CDS para suspender o contrato do primeiro troço de alta velocidade.

Filipe Santos Costa (www.expresso.pt)

O Bloco de Esquerda anunciou esta tarde que irá votar contra a suspensão do primeiro troço do TGV, proposta pelo CDS. Desta forma, os bloquistas juntam os seus votos aos do PS, garantindo que o investimento na alta velocidade não será adiado.

O CDS entregou ontem na Assembleia da República um pedido de apreciação parlamentar do decreto-lei n.º 33 A/2010, que "aprova as bases de concessão do projecto, construção, financiamento, manutenção e disponibilização" da concessão Poceirão-Caia da ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Madrid. Os centristas defendem a suspenção deste decreto-lei, no que contam com o apoio do PSD.

Ou seja, o PS precisava dos votos de, pelo menos, um dos partidos à sua esquerda para garantir que a iniciativa dos centristas fica pelo caminho. O que ficou esta tarde garantido pela voz do líder do BE, depois de, num primeiro momento, tanto bloquistas como comunistas terem hesitado quanto ao seu sentido de voto.

"Votamos contra o projecto do CDS", anunciou Louçã, garantindo assim que"o pedido de suspensão do investimento na alta velocidade não tem qualquer condição de viabilidade parlamentar".

Em conferência de imprensa na Assembleia da República, Louçã avisou que "Portugal está a ser estrangulado pela falta de investimento" e que, à falta de confiança que permita o investimento privado, "a única resposta coerente" é este partir do Estado. Acusando a direita de querer uma "zaragata política" com vista a "acabar com o investimento público em Portugal", o dirigente bloquista alertou que essa via resulta na "asfixia da economia" e "promoção de desemprego".

Condições do BE e do PCP

Apesar de já ter garantido o voto ao lado do PS, Louçã chamou a atenção para três aspectos que o BE espera salvaguardar: que não haja concessões de ramais da CP a privados, que o TGV incorpore encomendas à indústria nacional na ordem de pelo menos 75%, e que não existam gastos desnecessários - e deu o exemplo da duplicação de linhas (mercadorias e passageiros) entre Évora e Caia.

Também Jerónimo de Sousa, líder do PCP, colocou hoje "três condições fundamentais" em relação ao TGV: "a defesa e modernização da nossa linha ferroviária nacional, que o investimento seja público e que haja incorporação da produção nacional nesse projecto". Jerónimo reafirmou que o PCP é em princípio favorável à alta velocidade, mas ainda não anunciou o sentido de voto em relação à iniciativa do CDS.