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Atualidade / Arquivo

Bispos querem que os médicos digam Não

O bispos católicos atribuem aos médicos a responsabilidade pela luta contra o aborto legal. Apelam aos clínicos para que recorram ao estatuto de ‘objectores de consciência’.

Os bispos católicos portugueses apelam aos médicos para se recusem a praticar o aborto legal, até às 10 semanas. Reunida em Assembleia Extraordinária, em Fátima, a Conferência Episcopal acaba de aprovar um documento que, depois de reconhecer "algumas fragilidades do processo evangelizador" da Igreja, não conseguindo contrariar a votação no Sim no domingo passado, desafia os médicos e profissionais de saúde em "não hesitarem em recorrer ao estatuto de ‘objectores de consciência’ que a Lei lhes garante".

Num documento de duas páginas, o episcopado começa por passar em revista as "várias causas" na vitória do Sim à despenalização do aborto, até às dez semanas. A primeira das "causas", dizem os bispos é "a mediatização globalizada das maneiras de pensar e das correntes de opinião", numa inédita alusão à livre circulação das ideias pelos actuais meios de comunicação. E se reconhecem a "fragilidade" da Igreja na transmissão das suas propostas, os bispos consideram que uma das principais causas da derrota do Não reside na cultura do "individualismo no uso da liberdade e na busca da verdade".

O episcopado não deixa, porém, de reconhecer que, a partir de agora, "a missão da Igreja" necessita de "criatividade e ousadia" na ajuda concrecta "às mães em dificuldade". Por isso, propõe aos crentes a necessidade de "criar e reforçar estruturas de apoio eficaz e amigo às mulheres a braços com uma maternidade não desejada". Por outro lado, os bispos sublinham a urgência de "uma política de educação" que se empenhe "numa correcta educação da sexualidade", até porque – concluem os prelados católicos – "a sã educação da sexualidade há-de abrir (os jovens) para a gestão responsável da própria fecundidade".