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Bipartidarismo perde para a esquerda

Os partidos do poder perdem votos e a esquerda continua a subir, com o Bloco a fixar-se como a terceira força política. A popularidade de Ferreira Leite afunda-se e Cavaco Silva volta a ser a excepção.

Humberto Costa

O bipartidarismo vai perdendo terreno, uma tendência que se vem confirmando, assim como uma elevada percentagem de inquiridos indecisos (21%). Outra tendência que, mais uma, vez vem reflectida nos números, é a subida dos partidos à esquerda e à direita do bloco central.

Nestas zonas do espectro político português ressalta a afirmação do BE como terceira força política atingindo os dois dígitos nas intenções de voto. Também o CDS/PP merece destaque. Um partido que já registou resultados na ordem dos 3% ter agora, a meses das eleições, uma percentagem a rondar os 7% significa uma recuperação assinalável. Este mês o partido de Paulo Portas voltou a subir e foi até o que mais cresceu (0,8%).

A maior quebra regista-se no maior partido da oposição, o PSD, que desce 1% nas intenções de voto verificando-se um resultado ao nível do que teve Santana Lopes nas legislativas de há quatro anos e que foi o pior "score" dos sociais-democratas.

A ligeira descida do PS confirma uma outra evolução: o afastamento progressivo dos resultados verificados nas legislativas de 2005. Os socialistas reivindicam nova maioria absoluta, mas o barómetro aponta para que o eleitorado não volte a repetir essa manifestação de confiança.

Por outro lado, num mês em que se viveu mediaticamente de forma intensa o "caso Freeport" não é irrelevante a reduzida quebra socialista nas intenções de voto (-0,8%).

Os níveis de popularidade do Presidente da República voltam a subir (+1,5%) atingindo valores (39,8%) que são quase o dobro da consideração que o eleitorado mostra por José Sócrates. Cavaco Silva é mesmo o único a subir neste Barómetro que fica marcado ainda pela queda do primeiro-ministro. Sócrates regista uma queda considerável (3,2%) para a qual terá contribuído o caso Freeport. Resta-lhe a eventual consolação de a popularidade da líder do maior partido da oposição (Manuela Ferreira Leite) ter uma descida ainda maior, sem que essa manifestação de desagrado dos inquiridos possa ser sustentada por uma intervenção menos feliz de Ferreira Leite. De resto, a presidente do PSD mantém níveis de popularidade muito baixos (-10,5%) só ultrapassada pelo seu companheiro de partido Pedro Santana Lopes, durante o seu curto período de governação. Ainda assim a popularidade de José Sócrates mantém um saldo positivo e muito acima dos seus opositores. E nestes, Louça é o mais cotado (4,3%) logo seguido de Paulo Portas (3,1%). O líder dos comunistas, Jerónimo de Sousa é o que mais desce este mês (-43%), começando a afastar-se consideravelmente de um saldo equilibrado entre as opiniões positivas e negativas a seu respeito.

A queda da popularidade do Governo parece não ter fim. Este mês o Executivo perde -1,5% e afunda-se nos -20,9%. A Assembleia da República também regista uma descida da popularidade (-2,1%) valendo - 7,8% na consideração dos portugueses.

José Sócrates Não passou incólume ao "caso Freeport". Tem um saldo de 20,6% registanbdo uma descida de -3,2%

Francisco Louça Foi o líder partidário cuja popularidade menos desceu este mês (-1,2%) mantendo um saldo positivo (4,3%)

Paulo Portas O presidente do CDS/PP desce (-1,7%) como, aliás, todos os líderes partidários, mas mantém um saldo positivo de 3,1%.

Jerónimo de Sousa A popularidade do secretário-geral dos comunistas já teve dias melhores. É o que mais desce no Barómetro e regista um saldo negativo de 5,8%.

Manuela Ferreira Leite A líder do PSD, regista a maior quebra de popularidade de todos, fixando-se nos -10,5%. Pior só Santana em 2005.

28 de Janeiro a 3 de Fevereiro. Teve por objecto perguntas sobre as expectativas quanto às consequências do caso Freeport na imagem do primeiro-ministro e na Justiça, as razões para um orçamento suplementar, expectativas quanto ao desemprego, investimento público, rendimento das famílias, além da intenção de voto e da actuação dos titulares dos órgãos de soberania e dos líderes partidários. O universo é a população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando em lares com telefone fixo. A amostra foi estratificada por região: Minho, Douro e Trás-os-Montes (20,0%), Área Metropolitana do Porto (14,7%), Beiras, Estremadura e Ribatejo (28,9%), Área Metropolitana de Lisboa (26,5%), Alentejo e Algarve (9,9%). Foram efectuadas 1233 tentativas de entrevistas e, destas, 208 (16,9%) não aceitaram colaborar no estudo de opinião. Foram validadas 1025 entrevistas (83,1%). A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo. Desta forma aleatória resultou, em termos de sexo: feminino 52,0% e masculino 48,0%; e no que concerne à faixa etária: dos 18 aos 30 anos, 22,0%; dos 31 aos 59, 53,7%; com 60 anos ou mais, 24,3%. O erro máximo da amostra é de 3,06% para um grau de probabilidade de 95%.