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Biocombustíveis geram auto-suficiência energética

São os acordos de produção de etanol dos Estados Unidos com o Brasil que permitirão alterar a lógica de produção de energia na região.

"O potencial dos biocombustíveis é positivo e permite aumentar a auto-suficiência energética dos países. O seu desenvolvimento e a quota de biocombustíveis que os Estados Unidos adoptarão vai depender do volume de investimento futuro e do comportamento dos mercados", disse Thomas A. Shannon, secretário de Estado adjunto norte-americano para o hemisfério ocidental em vídeo-conferência na Embaixada dos Estados Unidos, ao princípio da tarde de hoje.

A afirmação referia-se ao périplo que o Presidente dos Estados Unidos fez por cinco países da América Latina, entre 8 e 14 de Março: "A nossa agenda na região é positiva, baseia-se na cooperação e nas questões sociais, sendo a luta contra a pobreza, a educação e a criação de empregos as prioridades", reconheceu por Thomas A. Shannon fazendo um balanço do périplo de George W. Bush pelo Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México.

Segundo o secretário de Estado adjunto, a viragem à esquerda de alguns países da região em eleições dos anos mais recentes deve-se ao facto de "os políticos de esquerda gerirem melhor as agendas sociais" no momento em que "os processos de democratização que vivem estes países são ainda frágeis e tornam as questões sociais mais dramáticas". Para que aqueles países sejam capazes de dar uma "resposta social e económica aos desafios" que se lhes apresentam, Shannon sublinhou a importância atribuída pelo Presidente Bush ao sector energético na agenda da visita pelos países aliados dos EUA: "Estamos completamente empenhados nos biocombustíveis e esta foi uma das partes importantes da visita do Presidente", disse.

Em relação ao Brasil, onde o Presidente dos EUA formalizou uma parceria para a produção de biocombustíveis, Shannon referiu: "As duas maiores democracias da América trabalham juntas para criar energia para os países que não a produzem" apesar da sua tradição de agricultura. Em causa está o etanol – álcool como se diz no Brasil – o combustível líquido renovável de maior sucesso no mundo e de que os Estados Unidos e o Brasil são os maiores produtores: juntos produzem cerca de 34 mil milhões de litros ao ano, quantidade que pretendem duplicar até 2010.

O secretário de Estado adjunto acrescentou ainda que, para alcançar os 20% de redução de consumo de petróleo nos próximos dez anos, o Presidente Bush "focou-se noutras energias renováveis" e não só em biocombustíveis. "Existe tecnologia e se a desenvolvermos seremos capazes de produzir mais etanol".

Relativamente às relações no continente, Shannon afirmou: "Sempre soubemos que temos amigos na região e esta foi uma oportunidade para mostrar que estamos activos ali", disse. Quanto ao discurso detractor dos Estados Unidos de Hugo Chávez, resumiu: "Temos uma relação de importações e exportações importante com a Venezuela, mas ela está a negar o acesso dos países vizinhos à energia". E quanto à construção "daquilo a que as pessoas chamam muro" na fronteira com o México, o secretário de Estado adjunto evocou as alterações à lei da imigração norte-americana: "O Governo dos Estados Unidos quer que reine a lei nas nossas fronteiras e pretende regular o fluxo de entrada de pessoas no país. Mas reconhece obviamente a importância dos imigrantes para a força laboral do país e para os países de origem destas pessoas", concluiu.