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Bienal vai dar novas cores à capital

É a segunda edição de uma bienal que aposta em levar a arte às ruas da cidade, com intervenções que passam por uma profunda alteração da iluminação pública.

Ruas vermelhas, verdes e azuis. Num percurso que vai do Príncipe Real a Alfama, a iluminação pública será profundamente alterada durante nove noites consecutivas. É uma forma de criar novas ambiências e de demarcar a zona ao longo da qual serão apresentadas as diversas instalações artísticas da segunda edição da bienal Luzboa, que a associação Extra-muros promove entre 21 e 30 de Setembro.

«A base da bienal é a alteração do espaço público, criando uma espécie de museu ao ar livre», referiu ao EXPRESSO o arquitecto Samuel Roda Fernandes, coordenador-geral da Luzboa. «Art gets you through the night» («A arte faz-te atravessar a noite») é o lema por detrás desta segunda edição que pretende «transfigurar algumas zonas da cidade que estão mortas e trazer gente para as ruas».

Ao contrário do que aconteceu em 2004, quando as intervenções decorriam simultaneamente na rua e em museus da cidade, desta vez os organizadores optaram por concentrar tudo nas ruas.

São cerca de duas dezenas de intervenções de artistas portugueses e estrangeiros que vão desde as projecções em fachadas de edifícios de padrões de calçada tradicional portuguesa (da luso-descendente Catherine da Silva), à lua luminosa, de quatro metros de diâmetro, que aumenta e diminui de tamanho à medida que vai «respirando» (do português Bruno Peinado), à floresta dinâmica projectada sobre os armazéns do Chiado (do mexicano Miguel Chevalier) ou aos pedintes profissionais (contratados pelo espanhol Javier Nuñez Gasco).

O percurso de cerca de quatro quilómetros em que decorre Luzboa estará dividido em três áreas distintas, segundo o conceito de RGB (Red-Green-Blue – a base do sistema primário de mistura aditiva de cores). A «Lisboa Aristocrática» (com iluminação vermelha) do Príncipe Real ao Largo de Camões, «Lisboa Pombalina» (verde) do Chiado à Rua de Santa Justa e «Lisboa Antiga» (azul) das escadinhas de São Cristóvão a Alfama.

Apoiado pela Câmara de Lisboa e com o patrocínio da EDP, a bienal Luzboa é promovida pela Extra-muros, uma associação cultural que nasceu em 2001 com o objectivo de requalificar o espaço público através da arte.

A programação da Luzboa pretende atrair diversos tipos de público, contando com iniciativas como a Parada das Luzes, na qual 25 artistas brasileiros vão interagir com os transeuntes enquanto desfilam com fatos luminosos entre o Largo Trindade de Coelho e a Rua de Santa Justa. A abertura decorrerá com um concerto de Ensemble JER (uma formação lúdica cuja música provém de instrumentos de plástico), 21 de Setembro às 20 horas, no Largo do Teatro Nacional de São Carlos.