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Berlim mais perto

Dois anos depois, a história repetiu-se. Aguenta coração que os penálties vêm aí. Ricardo defendeu, Ronaldo marcou. Todos sofremos. A jogar assim só paramos mesmo em Berlim.

Quando marcou o quinto e último penálti, colocando um ponto final na «lotaria» que dois anos passados sobre o Euro-2004 voltou a decidir um Inglaterra-Portugal, Cristiano Ronaldo correu para o centro do relvado, lançou um grito de raiva e levantando a mão direita em direcção ao céu clamou por duas vezes: «Estou aí! Estou aí!».

Na hora da passagem de Portugal às meias-finais do Mundial-2006 de futebol, a estrela portuguesa não esqueceu a memória do pai, falecido ainda não há um ano. Depois de uma semana muito difícil, o jogador mereceu a honra da cobrança do penálti decisivo.

Partiu para a bola, enganou o guarda-redes e pôs ponto final na partida: 3-1 para Portugal, depois dos 6-5 de há dois anos. Desta vez não foi preciso Ricardo marcar e muito menos descalçar as luvas para enfrentar os tiros opostos: o guardião sportinguista parece talhado para estes jogos e depois de uma exibição seguríssima durante todo o jogo deu-se ao luxo de defender três grandes penalidades. Se estas contassem para a análise da FIFA, o título de «Homem do Jogo» assentava-lhe que nem uma luva. Não o foi (a FIFA optou por distinguir o inglês Hargreaves) mas ficará para a história, outra vez, como o jogador que derrubou a esquadra britânica.

No final da partida, nas suas primeiras declarações, Scolari disse ter sido «um jogo electrizante, maravilhoso e jogado por duas grandes equipas, que valorizaram os seus países». Adiantou que só os penaltis poderiam decidir quem passaria adiante e elogiou a exibição inglesa: «Com menos um jogador fez com que corrêssemos como se estivessemos a jogar contra 11». O seleccionador brasileiro referia-se à expulsão de Rooney, aos 65 minutos, por ter pisado Ricardo Carvalho na zona púbica. Falando do futuro, optou por fazer um discurso cauteloso. «É sempre bom passar as meias-finais de um Mundial, mas agora e preciso ir devagar. Brasil ou França? Não interessa, será sempre um jogo muito difícil. Vamos esperar para ver», resumiu.

Já Ricardo revelou que sempre teve «muita fé na vitória, mesmo depois de o jogo avançar para os penáltis». Na hora da vitória não mostrou preferência pelo adversário que vai enfrentar no jogo de quarta-feira e manifestou especial apreço pelo apoio dos poucos portugueses presentes no estádio. «Apesar de estarem em minoria tiveram uma alma muito grande», frisou, adiantando ainda ser «importante agora desfrutar este momento de glória do futebol português».

Quanto a Sven-Goran Eriksson, cinco anos e meio depois despediu-se da selecção inglesa triste por não poder dar uma alegria aos fãs. «Estamos fora e isso é muito doloroso, sobretudo para todos os nossos apoiantes, que foram sempre fantásticos», disse. O sueco deu os parabéns a Portugal mas lançou algumas críticas à arbitragem, por não ter assinalado grande penalidade em duas situações na segunda parte que envolveram Nuno Valente (bola na mão e desarme com derrube a um avançado inglês). «O árbitro decidiu não dar penalti e custa sair assim do Mundial», finalizou.