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Bento Amaral, vela adaptada

Foi num acidente no mar que ficou tetraplégico, mas foi também no mar que Bento se consagrou campeão mundial de desporto adaptado.

«O mar o tira, o mar o dá». O ditado popular assenta que nem uma luva a Bento Amaral. Foi um acidente no mar que o deixou tetraplégico: «Estava a fazer uma carreirinha numa onda quando me enrolei. Bati com o queixo na areia e parti a quinta vértebra». Mas foi também no mar que «reencontrou a liberdade» – sete anos depois do acidente entrou a bordo de uma pequena embarcação adaptada e experimentou uma «sensação de liberdade e autonomia que pensava perdidas».

Tinha 25 anos na altura do acidente e a adaptação social foi lenta, mas «sem períodos de desespero». Novas metas foram estabelecidas e o sonho de voltar às regatas, que lhe tinham dado o título de Campeão Nacional de Vela, ficou para trás. Acabou o curso de Engenharia Alimentar e começou a batalha de procurar emprego. Em 1999, as portas do Instituto do Vinho do Porto abriram-se para lhe dar uma oportunidade. Actualmente, dirige o departamento de provas de vinho e dá aulas na Universidade Católica do Porto.

Em 2002, ouviu falar em vela adaptada e ao seu regresso ao mar assistiram família, amigos e namorada, que hoje em dia já sabem que faz parte da sua «realização pessoal». Quatro anos depois, Bento garante não ter tido receio. «Foi um grande reencontro. Não culpo a natureza pelo acidente, foi simplesmente azelhice minha».

Por cá, a modalidade ainda está a dar os primeiros passos, mas Bento, agora com 37 anos, já conquistou o público internacional. Detentor do título de Campeão Mundial, confessa que «ouvir o hino nacional e ver subir a bandeira é uma sensação única». Embora ainda sinta um «equilíbrio muito precário entre o prazer, a disciplina» e os custos elevados deste desporto, há uma motivação sempre presente: «O orgulho de representar Portugal».

VELA ADAPTADA

A Vela para deficientes é um dos desportos, que nos últimos anos tem tido um grande desenvolvimento a nível internacional. É também um dos poucos desportos em que a idade não tem um papel significativo. De facto, a experiência ganha com os anos da participação, realça frequentemente as habilidades dos atletas.

A Vela nos Jogos Paralímpicos disputa-se nos barcos das classes Sonar e R (2,4m), e destina-se a atletas com deficiência visual (cegos e amblíopes) e a atletas com deficiências motoras.

É modalidade do Programa Paralímpico desde os Jogos de Sydney em 2000.