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“Bebé Milagre” teve alta hoje

Depois de ter lutado pela vida durante quatro meses, Amillia Taylor pode finalmente ir para casa. Embora continue fragilizada, o pior já passou.

A pequena Amillia, nasceu em Miami a 24 de Outubro de 2006 com apenas 22 semanas, 284 gramas e 24 centímetros. Quando nem os pais acreditavam na sobrevivência da menina, ela sobreviveu. Hoje, quase quatro meses depois, regressa a casa.

Nasceu com tão pouco tempo de vida que no Reino Unido ainda seria legal o aborto, se tivesse permanecido no útero materno e caso a mãe quisesse. O que não aconteceu.

Contra todas as expectativas

Amillia, cujo nome quer dizer lutadora em latim, entrou para a história por ter sido o bebé que menos tempo passou no útero materno e sobreviveu. O tempo normal teria sido entre 37 e 40 semanas de gestação.

Os médicos que a trouxeram ao mundo através de cesariana, não esconderam o pessimismo inicial, “não éramos nada optimistas em relação à sobrevivência da bebé, mas ela demonstrou-nos quão errados estávamos”, lembrou o doutor William Smalling, um dos especialistas em medicina neo-natal, que ajudou Amillia a inverter as probabilidades, e que a considerou um “verdadeiro bebé milagre”.

A Universidade do Iowa nos Estados Unidos, que mantém os registos de nascimentos prematuros em todo o mundo, confirmou que nenhum bebé nascido com menos de 23 semanas de gestação conseguiu, até agora, sobreviver e que com um peso inferior às 400 gramas, a sobrevivência era impossível. Amillia provou que estavam todos errados.

No dia em que nasceu era pouco maior do que uma esferográfica e a confiança dos médicos na sua sobrevivência era tão escassa, que nem divulgaram o caso à comunicação social. Escolheram o dia de hoje por ter passado a fase mais complicada e por Amillia ir finalmente receber alta.

A força de Amillia

Apesar de ter ultrapassado dificuldades que nenhum outro prematuro conseguiu vencer, a “lutadora” Amillia, teve de mostrar porquê que nunca um bebé mereceu tanto o nome que tem.

A pequena recém-nascida teve complicações respiratórias, uma pequena hemorragia cerebral e alguns problemas do aparelho digestivo, mas nada que tenha deixado sequelas, ou que a venham a prejudicar ao longo da vida.

Para os médicos a prioridade são os danos cerebrais, “podemos tratar os pulmões e coisas assim, mas o cérebro é o mais importante”, disse Paul Fassbach, o especialista que cuida de Amellia desde o seu segundo dia de vida e que confirma o “prognóstico excelente” da sua protegida.

Pais orgulhosos

Eddie e Sónia Taylor são os pais orgulhosos de Amillia, concebida através de fertilização in vitro, o que permitiu que se soubesse com total exactidão o tempo passado no útero da mãe. Sónia Taylor que, por ordens médicas, só pegou na sua filha ao colo, seis semanas após o nascimento, não esconde a felicidade, “era difícil imaginar que chegasse tão longe, mas agora começa a parecer um bebé de verdade”.

Amillia despede-se do Hospital Baptista de Miami e de quatro meses passados numa incubadora, vigiada 24 horas por dia, e onde recebia oxigénio artificialmente. Até atingir os dois quilos de peso, Amillia, vai ter de continuar a receber oxigénio e a ser medicada para a asma, bem como ter a sua respiração vigiada.

O doutor Smalling, desdramatiza os cuidados adicionais que a recém-nascida vai receber, “vai dormir numa cama normal e receber o mesmo tratamento de qualquer bebé” e o seu alimento "será dado através de um biberão", nada que outro bebé de 9 e meio estranhe.