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BE e PCP disparam acusações sobre Pingo Doce

Esquerda denuncia "ultraje" no 1.º de maio e acusa Jerónimo Martins de práticas ilegais.

Filipe Santos Costa (www.expresso.pt)

O BE e o PCP exigem explicações ao Governo sobre a iniciativa de ontem dos supermercados Pingo Doce, com descontos de 50% que provocaram o caos nalgumas lojas, e não poupam nas críticas ao grupo Jerónimo Martins (JM).

Bloquistas e comunistas tomaram a iniciativa de chamar ao Parlamento o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, sendo que o BE quer ouvir igualmente a Autoridade da Concorrência e a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, que tem participado numa plataforma que junta cadeias de distribuição e produtores.

Catarina Martins, do BE, acusa a Jerónimo Martins de "esmagar" a concorrência "aproveitando a situação de aflição dos portugueses". Agostinho Lopes, do PCP, fala de "mais um ato de prepotência de um grande grupo de distribuição", constatando que "aparentemente são eles que mandam no Governo".

"Práticas comerciais abusivas"

Em declarações aos jornalistas, ambos os deputados chegaram à mesma conclusão - a campanha de ontem "só pode significar uma de duas coisas": "Ou a Jerónimo Martins está a prejudicar os consumidores nos outros 365 dias do ano com os preços que pratica", ou ontem vendeu abaixo do preço de custo, "o que é proibido pela lei da concorrência".

Das duas hipóteses, ambos parecem inclinar-se para a segunda. Catarina Martins fala numa "campanha com práticas comerciais abusivas que põem em causa a concorrência, os trabalhadores e os direitos dos consumidores no futuro". Agostinho Lopes denuncia uma iniciativa que viola a lei da concorrência e "prejudicando o pequeno e médio comércio".

Ambos os partidos notam ainda o "ultraje" de esta campanha ter acontecido no Dia do Trabalhador, com a abertura de lojas "contra os acordos coletivos de trabalho", nas palavras do deputado do PCP. "O que está em marcha é um ataque aos direitos dos trabalhadores", diz a deputada do BE, considerando "simbólico" que esta campanha tenha acontecido no 1.º de maio.

Esta tarde este será o tema da intervenção política do BE no Plenário da Assembleia da República.