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Dez mil pessoas — a 40 Km de Díli — manifestam o seu apoio a Alkatiri

Cerca de 10 MIL pessoas, que pretendem manifestar o seu apoio ao demissionário primeiro-ministro Mari Alkatiri, encontram-se a cerca de 40 quilómetros de Díli, aguardando autorização de entrada na capital. 

Cerca de 10 mil pessoas, que pretendem manifestar o seu apoio ao demissionário primeiro-ministro Mari Alkatiri, encontram-se a cerca de 40 quilómetros de Díli, aguardando autorização de entrada na capital.

«Os nossos militantes e simpatizantes encontram-se nas proximidades da escola pré-secundária de Metinaro», afirmou à Lusa Estanislau da Silva, porta-voz da Comissão Política Nacional da FRETILIN.

Fonte militar internacional confirmou à Lusa que os efectivos australianos presentes na zona foram reforçados ao longo da manhã e que os manifestantes não foram ainda autorizados a entrar na capital timorense «para prevenir eventuais confrontos com os manifestantes anti-governamentais que ainda se encontram em Díli».

O número dos manifestantes anti-governamentais, que segunda-feira chegou a ser de cerca de 7.000, desceu hoje para cerca de metade, mantendo-se as habituais caravanas automóveis pela cidade, gritando palavras de ordem pró-Presidente Xanana Gusmão, pró-dissolução do Parlamento e contra Mari Alkatiri.   A reunião do Conselho de Estado, órgão consultivo de Xanana Gusmão, iniciada de manhã (hora local), ainda não terminou, mas está a decorrer sem a presença do primeiro-ministro Mari Alkatiri, que tem direito de participação por inerência do cargo.  

Fonte do gabinete do primeiro-ministro disse à Lusa que Mari Alkatiri não recebeu nenhuma convocatória para a reunião, que começou sem que pela primeira vez os conselheiros tivessem conhecimento prévio da agenda.   Entretanto, na sequência da demissão segunda-feira do primeiro-ministro , aceite pelo chefe de Estado, a FRETILIN está a preparar a documentação necessária para proceder à realização de uma reunião da Comissão Política Nacional, acrescentou Estanislau da Silva à Lusa.  

«Ainda não temos data para a reunião. Tanto pode ser ainda hoje como amanhã (quarta-feira)», afirmou.  

De acordo com o constitucionalista português Jorge Miranda, a solução que Xanana Gusmão tem para a crise tanto pode sair do actual Parlamento Nacional, com a FRETILIN a indigitar um nome para chefiar o governo que conduzirá o país até às eleições legislativas, a realizar no primeiro trimestre de 2007, como pode optar por dissolver o Parlamento.  

Neste caso, teria que nomear um governo de transição, encarregue de preparar eleições antecipadas.   De acordo com a Constituição de Timor-Leste, Xanana Gusmão só pode dissolver o Parlamento até Outubro próximo, por a partir daí apenas faltarem seis meses para concluir o seu mandato presidencial.  

No que diz respeito à dissolução do Parlamento, que é exigida pelos manifestantes que se mantêm na capital timorense, enquadrados pela autodenominada Frente Nacional Justiça e Paz, cujo coordenador-geral é o major Alves Tara, a Uni ão Democrática Timorense, o mais antigo partido timorense, anunciou que apoiava o «movimento popular» a favor de eleições antecipadas.  

«A UDT decide apoiar o movimento popular, expressão evidente do povo timorense, especificamente no que diz concerne às suas exigências de dissolução do Parlamento Nacional», salienta um comunicado da UDT, assinado pelo seu presiden te, João Viegas Carrascalão, enviado à Agência Lusa.  

No comunicado, a UDT manifesta ainda «de forma inequívoca» o seu apoio a Xanana Gusmão e anuncia que retira a sua representação parlamentar, constituída por dois deputados.   O Parlamento timorense é composto por 88 deputados.