Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Autoridades brasileiras recuperam quadros roubados

Com a recuperação dos quadros 'Retrato de Suzanne Bloch', de Pablo Picasso, e 'O Lavrador de Café', de Cândido Portinari, estão reunidas as condições para a reabertura do Masp-Museu de Arte de São Paulo, esta sexta-feira, dia 11.

Maria Luiza Rolim

As autoridades brasileiras conseguiram recuperar esta terça-feira, dia 8, os valiosos quadros 'Retrato de Suzanne Bloch' e 'O Lavrador de Café', de Pablo Picasso e Cândido Portinari, respectivamente, que haviam sido roubados no passado dia 20 de Dezembro, do Masp-Museu de Arte de São Paulo.

As obras estão quase em perfeito estado - excepto um arranhão na parte posterior da tela de Picasso, que não compromete a pintura, revelou a coordenadora do acervo do museu, Eunice Sofia - podendo ser vistos a partir desta sexta-feira, dia 11, data marcada para a reabertura do Masp.

A abertura ao público, depois de resolvidos alguns aspectos relacionados com a questão da segurança do Masp, foi adiada por duas vezes desde o roubo dos quadros.

O 'Retrato de Suzanne Bloch' e 'O Lavrador de Café', avaliados em cerca de 39 milhões de euros, são duas das mais importantes obras do acervo do museu brasileiro. As telas foram transportadas para o museu por uma empresa especializada, sob forte esquema de segurança, tendo sido escoltadas por nove carros, cinco motos e um helicóptero da Polícia Civil.

Falhas da segurança

Segundo as autoridades brasileiras, os ladrões - que já foram presos - não levaram mais de três minutos para praticar o crime, numa acção relâmpago que ficou registada pelas câmaras de vídeo do museu. Os dois homens usaram luvas brancas, um macaco hidráulico e um pé-de-cabra.

O roubo das obras de Picasso e Portinari foi notícia na imprensa internacional, nomeadamente na BBC, no jornal britânico 'The Guardian', no espanhol 'El Mundo' e no argentino 'La Nación'.

Segundo a imprensa espanhola, o roubo veio expor as condições nefastas em matéria de segurança nos museus latino-americanos. Com efeito, o Masp não possuía alarme nem sensor, bem como o seu acervo - avaliado em mais de mil milhões de dólares - não estava coberto por seguro. O desaparecimento das telas obrigou ao encerramento temporário do Masp, para reformulação da sua segurança.

Ministério Público investiga contas do Masp

A par disso, o Ministério Público Estadual está a fazer uma investigação no Masp, estando a consultar documentos e informações sobre a situação financeira do museu, bem como o montante das suas dívidas. Entretanto, a Prefeitura (Câmara Municipal) de São Paulo instalou equipamentos de vídeo-vigilância ao longo da Avenida Paulista - parte do plano de monitorização de toda a cidade de São Paulo, já estabelecido antes do roubo dos quadros -, que também irá beneficiar o Masp.

As telas foram encontradas numa casa da cidade de São Paulo. Segundo a polícia, os quadros estavam embrulhados, não estando ninguém no imóvel a zelar pela milionária mercadoria.

O mistério sobre quem foi o autor intelectual do crime ainda está por desvendar. A polícia conseguiu localizar os quadros após prender os ladrões, ambos com 33 anos. Francisco Laerton Lopes de Lima foi preso no dia 27, e Robson de Jesus Jordão, esta terça-feira. "É evidente que não furtaram os quadros para eles. A meta agora é chegar ao receptador", disse o delegado-geral da Polícia Civil, Maurício José Lemos Freire, em declarações à 'Folha Online'.