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'Au revoir' Berlim

Com um penálti chegámos à meia-final e com outro dizemos adeus a Berlim. Resta a derradeira oportunidade para conquistar a medalha de bronze.

ZIDANE terminou com o sonho português de atingir a final do Mundial-2006 de futebol. Na sequência de um lance infeliz de Ricardo Carvalho, que rasteirou Thierry Henry na grande área, aos 31 minutos da primeira parte e deu azo à marcação de uma grande penalidade, «Zizou», quase sem tomar balanço, logrou bater Ricardo - que se lançou muito bem e quase parou a bola - e resolver nesse lance o segundo jogo das meias-finais. O Mundial terá assim no próximo sábado, em Estugarda, um Alemanha-Portugal para a atribuição dos 3.º e 4.º lugares, enquanto no dia seguinte, em Berlim, França e Itália decidirão a atribuição do título.

Numa partida muito equilibrada, a equipa gaulesa acabou por ser mais feliz. Raymond Domenech, no final do jogo, não teve dúvidas: «foi uma verdadeira meia-final, em que defrontámos uma super-equipa portuguesa».O ar de satisfação do treinador gaulês entendia-se perfeitamente - «ainda não meti na cabeça que sou finalista, se calhar só no domingo, quando subir ao relvado…» -, já que Portugal merecia, no mínimo, ter empatado a partida e levá-la a prolongamento e, quem sabe, a penáltis outra vez, como sucedeu com a Inglaterra. Quando lhe perguntaram qual equipa foi mais difícil de derrotar, Brasil ou Portugal, Domenech foi pronto na resposta: «Os portugueses, sem dúvida. Colocaram-nos em muitas dificuldades».

«Um detalhe resolveu a partida»

Esta afirmação do francês «não serve de consolo» para Scolari, que no final do jogo criticou as afirmações «absurdas» feitas por Domenech sobre os jogadores e Portugal. Para o seleccionador nacional, «um detalhe resolveu a partida», o que o impediu de somar a 20.ª vitória consecutiva. Na sala de imprensa o treinador português não parecia ainda convencido e salientou que caso pudesse «não mudaria nada». «As duas equipas foram muito iguais e tiveram ambas uma boa ‘performance’, mas quando se perde vai-se sempre à procura de algo que não existe». Convidado a falar sobre a atitude dos seus jogadores, o brasileiro não foi parco em elogios: «Tenho um grande orgulho por fazer parte desta equipa. Foram maravilhosos e dedicados. Só posso agradecer-lhes o esforço que fizeram para chegarmos até aqui, já que ninguém apostaria que estaríamos entre os quatro finalistas».

Alguns jogadores criticaram o trabalho do árbitro Jorge Larrionda, nomeadamente um penálti que Sagnol terá cometido sobre Cristiano Ronaldo, ainda na primeira parte. Scolari disse que não queria falar da actuação do uruguaio. «Sabe fazer direitinho o que quer fazer», começou por afirmar, mas pouco depois não conseguiu também deixar de engrossar o rol das acusações: «Toda a gente conhece bem a arbitragem sul-americana. Sabe matar o jogo», acusou, para logo acrescentar: «O penálti do Ricardo Carvalho foi penálti, sim senhor, mas o do Cristiano Ronaldo já não foi…».

Referindo-se ao jogo do próximo sábado, o treinador brasileiro disse que há que levantar a cabeça, pensar que o campeonato ainda não acabou. «O 3.º lugar também é interessante e não nos podemos esquecer disso».

Frente à Alemanha, é quase certo que Scolari terá de fazer duas alterações: o cartão amarelo exibido a Ricardo Carvalho impede-o de jogar em Estugarda e é quase certo que Miguel também ficará de fora, por lesão.