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Atualidade / Arquivo

Atentado fez 66 mortos na Índia

O comboio que fazia a ligação entre a Índia e o Paquistão foi alvo de um ataque terrorista. Musharraf já disse que este incidente não pode prejudicar o processo de paz entre os dois países.

O “comboio da amizade” que liga Índia e Paquistão foi hoje alvo de um brutal atentado. O objectivo seria prejudicar o processo de paz entre os dois países. Se foi conseguido ou não, só o tempo o dirá. Entretanto, as equipas de socorro já retiraram das carruagens carbonizadas 66 mortos.

O “Samijhauta Express” tinha saído de Nova Deli e dirigia-se para Lahore no Paquistão. Quando Islamabad confirmou que dos 757 passageiros, 553 eram paquistaneses, temeu-se o fim do processo de paz. Hipótese afastada pelo Presidente do Paquistão, General Pervez Musharraf, que condenou os atentados e num comunicado, garantiu ir fazer tudo ao seu alcance para que os “interessados em sabotar o processo de paz não saiam vitoriosos”.

Entretanto, o ministro paquistanês dos negócios estrangeiros, Khursheed Kasuri, não irá desmarcar a viagem oficial à Índia, planeada para amanhã.

Encontrados engenhos explosivos

Em declarações à impresa, o director-geral dos caminhos-de-ferro indianos, Narain Mathur, referiu acreditar ter-se tratado de um atentado. "Testemunhas dizem ter ouvido duas explosões e a polícia encontrou um detonador no local, por isso, deduzimos que se tratou de uma sabotagem”. Segundo Mathur, as explosões aconteceram cerca da meia-noite, a pouco mais de cem quilómetros de Nova Deli e ainda em território indiano.

O ministro indiano dos caminhos-de-ferro, Lalu Prasad, também defende a existência de mão criminosa. Em declarações à imprensa confirmou que os socorristas já retiraram 66 pessoas dos escombros e que foram encontrados engenhos explosivos em duas malas. “Tratou-se de um esforço para destabilizar o processo de paz entre a Índia e o Paquistão”, acredita o ministro.

Más memórias recentes 

Os atentados de hoje trouxeram à memória os ataques a vários comboios em Bombaim, em Julho de 2006, e que resultaram num trágico balanço de 186 mortos e mais de 800 feridos. Na altura, o processo de paz entre os dois países foi suspenso, por entre acusações do Governo de Nova Deli, que acusou o Paquistão de dar abrigo aos militantes que, alegadamente, estiveram na origem dos atentados.

A região de Caxemira é a razão pela qual os dois países já travaram três guerras desde 1947, ano em que o território foi dividido entre a Índia e o Paquistão. As duas potências nucleares trocaram no início do ano uma lista de instalações nucleares e comprometeram-se a não as usar em caso de guerra.

Paquistaneses exigem inquérito rigoroso

Embora o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, já tenha condenado veemente este acto de terrorismo cometido na Índia, as autoridades paquistanesas exigem aos seus congéneres indianos, “um inquérito aprofundado para encontrar os autores dos atentados, até porque segundo informações preliminares, a maioria das vítimas serão paquistanesas”, afirmou a porta-voz do ministério paquistanês dos Negócios Estrangeiros.

Quando interrogada sobre o impacto do atentado no processo de aproximação entre a Índia e o Paquistão, a porta-voz prefere esperar que termine o inquérito, “não podemos antecipar o objectivo deste acto de terrorismo. Devemos esperar as conclusões do inquérito indiano”.