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Até que a voz me doa

Raquel Tavares recolhe-se no xaile negro para encarnar, sempre que a noite cai, a força mítica da Severa de outros tempos. Tem 21 anos mas canta o fado com a maturidade de quem nunca foi criança. Leia sábado no Actual

Respira o fado como o elemento que a prende à vida e cada vez que a sua voz se solta revela todo o seu íntimo. Foi no infantário, aos cinco anos de idade, que Raquel Tavares ouviu o primeiro fado, «Tudo Isto é Fado». A educadora resolveu fazer uma festa de Natal diferente e escolheu a canção de Lisboa como tema. Os colegas da creche não aderiram com facilidade à música, mas Raquel decorou-a de imediato e atreveu-se a entoá-la. Nunca mais quis ouvir outra coisa. E, com a ajuda da irmã mais velha, recolhe um pequeno repertório de fado para se apresentar numa noite amadora no Clube Desportivo Vargense.

Seguem-se os restaurantes, as tascas dos bairros típicos e todos os concursos para amadores. Nem a resistência da família a fez parar. Fernando Maurício, a quem ainda recorda como o «avô», dá-lhe a mão e, sem tempo para brincar, cresce num mundo de adultos e convive com os sentimentos mais profundos. Em 1997 vence a Grande Noite do Fado, no Coliseu dos Recreios, mas sente dificuldade em encarar-se como uma profissional do fado.

Só em 2005, quando a Movieplay a convida para gravar o seu primeiro disco (Raquel Tavares, 2006), assume «assustada» esse estatuto. No entanto, é ainda em Alfama, no restaurante Bacalhau de Molho, que se entrega ao seu destino, a meia luz e distante dos holofotes.

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