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Associação Almargem demarca-se de destruição de plantação

Associação ambientalista contra o ‘modus operandi’ usado pelos manifestantes em Silves. Agricultura do Algarve diz que milho transgénico é legal.

A associação ambientalista algarvia, Almargem, é contra o ‘modus operandi’ utilizado pelos ecologistas da Verde Eufémia que invadiram uma propriedade de milho trangénico, em Silves. “Oficialmente nada temos em comum com a iniciativa, embora possa haver pessoas da Almargem, que a título individual, participaram no evento”, explica João Santos, da Almargem.

“Esta não é a nossa maneira de actuar”, acrescenta o dirigente, que lembra que na Europa, este tipo de manifestações tem sido comum. “Muitos dos protestantes são estrangeiros que estão no acampamento da juventude em Aljezur”, afirma. Embora tenham linhas de acção diferentes, a Almargem corrobora a crítica feita pela Verde Eufémia aos alimentos geneticamente modificados: “O milho tóxico ameaça Algarve”, defendem ambas as associações.

Por sua vez, Entrudo Fernandes, técnico da Direcção Regional de Agricultura do Algarve (DRAALG) afirma: “Não estou tranquilo, mas como técnico temos que nos confrontar com a aplicação da lei". O responsável tem acompanhado a primeira plantação transgénica da região. Em causa, a plantação de 50 hectares de milho transgénico na Herdade da Lameira, em Silves, contendo MON81, um gene introduzido artificialmente na planta que a torna imune às temidas “roscas do milho”.

Para Entrudo Fernandes, a plantação está devidamente autorizada ao abrigo do decreto 160/06, que transpôs uma norma comunitária que licencia perto de 50 variedades de organismos geneticamente modificados (OGM). “O agricultor notificou a Direcção Regional e nós efectuámos uma primeira inspecção em Maio, logo após a sementeira, e agora faremos nova inspecção imediatamente antes da colheita, em Setembro, como prevê a lei”, acrescenta .

A Herdade da Lameira, em Silves, foi a primeira exploração agrícola a requerer no Algarve a plantação de OGM, algo que habitualmente leva à tomada de medidas de precaução quando há outras plantações de milho não-transgénico na vizinhança, mas neste caso, tal não aconteceu. “Ao todo existem 70 hectares, 50 de milho transgénico e 20 de milho normal, porque apesar de a lei obrigar à plantação de 10 por cento de milho não-transgénico, o agricultor entendeu que deveria criar mais”, adiantou.

Ecotopia também se demarca

A organização da Ecotopia afirmou ao Expresso que “nada tem a ver com a manifestação” de hoje em Silves, embora também tenha recebido um comunicado da associação Verde Eufémia a dar conta da acção que ia ser posta em prática. De acordo com fonte do Grupo de Acção e Intervenção Ambiental (GAIA), responsável pelo acampamento em Aljezur, “é impossível saber se há participantes do Ecotopia envolvidos”, uma vez que as entradas e saídas do recinto são livres. Quanto à acusação da associação Almargem, o GAIA mostra-se indignado: “Não percebemos como podem ter tirado essas conclusões”.