Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Assassino de Vanessa já cometera outro homicídio

A polícia encontrou próximo do local do crime o cavalo, as calças jeans e o boné, sujo de lama, que Vanessa Sequeira usava antes de ser assassinada.

Era de origem alemã, embora de nacionalidade portuguesa, a estudante Vanessa Anabela Schaffer Sequeira que foi espancada até à morte no domingo passado na zona rural de Sena Madureira, no Estado brasileiro do Acre, nas vésperas do Dia da Amazónia. O seu corpo será trasladado hoje à noite de Rio Branco para São Paulo, devendo chegar amanhã a Lisboa.

Segundo a imprensa brasileira, Vanessa estava vinculada à Universidade da Costa Rica e desembarcou no Brasil a dia 26 de Janeiro.

Em declarações ao EXPRESSO, o secretário de Justiça e Segurança Pública do Acre, António Monteiro, negou que Vanessa estivesse a tomar banho num riacho quando foi agredida (hipótese levantada pelos jornais e blogues locais). O seu corpo é que foi encontrado, pela polícia, dentro de um igarapé, para onde fora arrastado pelo assassino.

O local onde a estudante foi atacada fica a 36 quilómetros da auto-estrada BR-364 entre o município de Sena Madureira e a capital do Acre, Rio Branco. Foi a sua amiga Elizandra Moura de Lima, da Universidade Federal do Acre, quem apresentou queixa à polícia sobre o seu desaparecimento.

Ainda de acordo com a imprensa brasileira, o  suspeito, Raimundo Nonato Rocha de Lima, conhecido como «Di Manaus» – que se encontra detido a aguardar julgamento – terá sido visto por testemunhas no local do crime. «Di Manaus» tem a mesma idade da vítima, 36 anos, é ex-presidiário e estava em liberdade condicional após ter cumprido pena por outro homicídio. Ao ser detido, trajava calças jeans manchadas de sangue. Consta que passara todo o dia do domingo a beber e a discutir com a família.

Tese sobre pobreza e meio-ambiente

A estudante – que tem família na Alemanha, na Suíça e em Lisboa – encontrava-se na comunidade de Toco Preto, zona rural de Sena Madureira, onde na semana passada havia montado acampamento e iniciado os trabalhos de campo para a sua tese de doutoramento na área das Ciências Sociais. A sua investigação versava sobre a pobreza e o meio-ambiente e se relacionava com o processo de desmatamento/extracção de madeira e projectos sociais de assentamento naquele município do Acre. 

Com efeito, o elevado índice de desemprego, a violência e a droga (dada a proximidade da Bolívia) marcam os percursos da maior parte da população do Acre, um dos mais subdesenvolvidos do Brasil. As actividades principais da região são a criação de gado e extracção de borracha e madeira. Vanessa morreu numa zona de seringal (plantação de seringueira, a árvore da borracha).

Vanessa tinha dez anos de experiência profissional no âmbito de conservação e desenvolvimento de recursos naturais, trabalhando sobretudo com organizações não-governamentais. Durante quatro anos, trabalhou em Madre de Deus, Peru. Actualmente, integrava um programa conjunto de doutoramento mantido pelo Centro Tropical de Investigação e Ensino Agronómico da Costa Rica e pela Universidade de Wales Bangor (Reino Unido).