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Ases portugueses da magia

Hélder Guimarães, campeão em Cartomagia, e David Sousa, vice-campeão em Manipulação, brilharam no Campeonato do Mundo de Magia

«Quero esses olhos bem abertos», dispara o repórter fotográfico. O olhar tímido, escondido por detrás dos óculos de massa vermelhos, denuncia o nervosismo de Hélder Rodrigues. Acabado de regressar de Estocolmo, onde se sagrou campeão mundial de Cartomagia, o jovem, de 23 anos, parece ainda surpreendido com a sua fama instantânea.

A cara revela uma espécie de espanto festivo que contrasta com a confiança inabalável de David Sousa, 24 anos, vice-campeão em Manipulação, a categoria por excelência da magia. O orgulho que se percebe em ambos é justificado. Em 23 edições do Campeonato do Mundo de Magia, que se realiza de três em três anos, nenhum outro ilusionista português havia conquistado qualquer distinção. Eles conseguiram-no entre 156 mágicos de 64 países.

Desde que chegaram a Portugal, no domingo passado, depois de uma semana na Suécia, os telemóveis não pararam de tocar. Multiplicam-se os convites para entrevistas, programas de televisão, novos trabalhos. Os jovens têm consciência que muita coisa vai mudar na sua vida. São ambos finalistas do curso de Teatro da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, no Porto, mas é com um baralho de cartas na mão ou um qualquer objecto na manga que preferem comunicar. E agora, mais do que nunca, querem concretizar o sonho antigo do profissionalismo.

Mas será possível viver da magia em Portugal? A resposta sai pronta da boca de David. «Só temos que agarrar a oportunidade. Um premiado da FISM [Federação Internacional das Sociedades Mágicas] costuma ter mercado». Hélder concorda. «Abrem-se muitas portas, sobretudo do mercado internacional». Do concurso regressaram com convites para actuar pela Europa, Estados Unidos, Brasil, Venezuela, Japão e até Coreia do Sul. Outros deverão seguir-se em breve.

A história de David começa «numa caixa de magia do rato Mickey» oferecida pelo pai. Tinha seis anos e não podia então imaginar que, 18 mais tarde, seria o segundo melhor do Mundo na sua especialidade, já depois de, em Fevereiro, ter vencido a Varinha Mágica de Prata no Congresso Latino-Americano de Magia. A influência paterna foi ainda mais precoce em Hélder. Filho de um mágico amador, deixou-se encantar quando tinha quatro anos e, aos 11, já entrava em concursos com uma rotina própria. Também para ele o reconhecimento internacional não é novidade. Em 2004, com apenas 21 anos, recebeu o Prémio Ascanio da Sociedade Espanhola de Ilusionismo, na modalidade de «close up» (magia de proximidade). Foi a primeira vez que o galardão foi entregue a um ilusionista a residir fora de Espanha.

Sentado numa esplanada, Hélder surpreende o repórter com um dos truques que criou. O nervosismo inicial desapareceu. Com o baralho na mão, é ele que dita as regras.