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As razões de Bento XVI

O que levou o Papa a proferir o seu polémico discurso sobre Maomé? Para lá da ira dos fiéis, qual a reacção que as palavras de Bento XVI suscitaram entre os intelectuais muçulmanos? Saiba tudo num dossiê sobre o tema.

“Se o querem perceber, e o que motivou o discurso, então entendam que a principal característica do Papa é a clareza. Conhece bem a história e as doutrinas do Islão. É claro que para ele as posições assumidas pelos extremistas e fundamentalistas são a negação do verdadeiro Islão”, refere um dos cardeais que tem privado com Bento XVI.

As palavras do Papa foram proferidas dentro de um contexto específico. Ele estava a falar para intelectuais informados e com espírito crítico, sobre um tema que preferiu abordar partindo do marginal para o essencial. Da visão histórica deturpada para a essência do Islão.

E como foram elas entendidas no mundo islâmico? Para o académico muçulmano, Tariq Ramadan, as palavras de Bento XVI procuraram apelar para uma identidade europeia construída em torno da fé católica e da forma como esta integrou a razão, algo que, aparentemente, não aconteceu com o Islão. Ramadan considera que os intelectuais muçulmanos, em vez de se deixarem levar pelas reacções inflamadas dos fiéis, deviam entender as palavras do Papa como um repto e procurar lutar contra esta memória selectiva que tão facilmente "esquece" os contributos decisivos de pensadores muçulmanos "racionalistas".

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