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As Nações Unidas no centro da política

Como se escolhe um novo secretário-geral? Que qualidades deve ter? A quem não pode opor-se? Quem são os candidatos à sucessão de Kofi Annan? A resposta a estas perguntas e um desenvolvimento dos grandes desafios que se colocam à 61.ª Assembleia Geral, a decorrer de 19 a 29 de Setembro em Nova Iorque.

Quatro perguntas a Miguel Graça, n.º 2 da Missão de Portugal nas Nações Unidas

Quais as principais questões a debater na 61ª Assembleia Geral?
Essencialmente questões políticas e também institucionais. A grande prioridade é o Médio Oriente: o Líbano e a Palestina. Também o Darfur, no Sudão e, claro, o Irão e toda a questão da não-proliferação nuclear – em que pé estarão as negociações quando voltarem ao Conselho de Segurança? Também teremos de discutir as questões institucionais: a escolha de um novo secretário-geral e o processo de reformas. Algumas dessas reformas já foram adoptadas, mas ainda falta implementar algumas, nomeadamente a Comissão de Construção da Paz. Trata-se de uma iniciativa portuguesa, pelo que tem o nosso apoio desde o início e tentámos impulsioná-la. Servirá para preencher uma lacuna na estrutura institucional das Nações Unidas: o vazio entre o fim do conflito e o desenvolvimento a longo prazo. Tem por objectivo a resolução de  problemas que já não estão na ribalta. É algo que encaixa perfeitamente no papel das Nações Unidas no século XXI. Há ainda outras reformas por concluir, como a revisão da administração e a reforma do Conselho de Segurança, que são assuntos muito sensíveis e complicados.

Quais as prioridades portuguesas na 61.ª Assembleia Geral?
A primeira é Timor Leste. Foi aprovada uma nova missão das Nações Unidas e estamos a seguir esse processo de muito perto. Vamos participar nessa missão com o envio de uma força policial. Em Outubro, o secretário-geral fará uma avaliação e nós estaremos atentos ao que terá para dizer. A segunda prioridade é o Líbano. É muito importante para nós porque temos tropas na UNIFIL, pelo que acompanhamos a situação de perto. Por fim, temos interesse nos assuntos relacionados com África em geral e com a Guiná-Bissau em particular.

Qual o candidato a secretário-geral que Portugal apoia e porquê?
Miguel Graça: De acordo com a carta constitucional das Nações Unidas, o secretário-geral é nomeado pela Assembleia Geral, pelo que supostamente  temos voz activa na matéria. No entanto, a nomeação baseia-se na recomendação do Conselho de Segurança, que só nos apresenta um candidato. Então, na realidade, não há muito que dizer. O nosso voto não decide nada e, de facto, não temos um candidato.

Portugal não pode pressionar o grupo da União Europeia a influenciar os votos da Grã-Bretanha e da França, da Dinamarca e da Grécia (os actuais membros europeus do Conselho de Segurança)?
Infelizmente, a União Europeia não chegou a um acordo relativamente à nomeação do novo secretário-geral.