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Arlequim no Faial

Um navio encalhou no Faial, e dele caiu um contentor do Piccolo Teatro di Milano. Dois anos depois a companhia italiana foi aos Açores ver os destroços e… um documentário de José Medeiros.

Quando no final de 2005 um navio porta-contentores encalhou na Praia do Norte, na ilha do Faial, ninguém imaginaria que este incidente, sem quaisquer vítimas, pudesse ter impacto na vida de duas companhias de teatro: uma muito importante no quadro europeu, Piccolo Teatro di Milano, fundada por Giorgio Strehler e Paolo Grassi, em 1947, e uma companhia amadora açoriana chamada Teatro de Giz. Mas foi na verdade por ordem deste erro de navegação e de sucessivos acasos que se criou uma relação entre as duas «famílias teatrais», da qual já resultou um telefilme. Trata-se da «A Ilha de Arlequim», de José de Medeiros (RTP-Açores/Teatro de Giz), estreado no Faial no dia 11 de Março, e a apresentar no sábado, dia 31 de Março, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

Na ante-estreia, no Faial, a que o Expresso assistiu, esteve presente uma delegação do Piccolo, na qual se contava a actriz Pamella Viloresi, Alessandra Vinanti (produtora), Francesco Viespro (responsável do arquivo), Giovanni Soresi (assessor de imprensa do Piccolo), Rosanna Purchia (produtora geral do Piccolo) e ainda Giovanna Schepisi (directora do Instituto de Cultura Italiano em Portugal). O filme será também apresentado em Itália em Maio, no âmbito das comemorações dos 60 anos do Piccolo Teatro di Milano que este ano se comemoram, e voltará a Lisboa depois do Verão para ser incluído numa programação a lançar pelo Instituto Italiano de Cultura.

Tudo começou porque no navio seguia um contentor despachado pela companhia de teatro italiana com o material (adereços, figurinos e cenário) de uma produção que finalizava a longa digressão pelos Estados Unidos. Alguns meses depois do navio ter encalhado, o contentor do Piccolo acabaria por cair ao mar espalhando alguns dos fatos do espectáculo «Arlequim, Servidor de Dois Amos» (de Carlo Goldoni). Nos destroços encontravam-se «coisas de teatro» e foi por causa disso que um vigilante acabaria por chamar um dos membros da companhia de teatro amador Teatro de Giz.

Ao descobrirem a origem do material, os membros do Giz iniciariam um contacto com a companhia italiana, que já os levou a Milão, e aos italianos aos Açores. À relação acrescenta-se uma colecção de acasos entre os quais está o facto de «Arlequim, Servidor de Dois Amos» ter sido uma das primeiras peças encenadas por Strehler, quando fundou o teatro no pós-guerra, e ainda o a de última peça estreada em 1997, antes de morrer, por Srehler ter sido «A Ilha dos Escravos» de Marivaux, que começa com um naufrágio no qual Arlequim sobrevive…