Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Apito Dourado e Caso Mateus são "uma vergonha"

"Vergonha" foi uma das palavras mais repetidas Hermínio Loureiro, na sua primeira entrevista como presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

O novo presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) considera o que o processo por corrupção "Apito Dourado" e o "Caso Mateus" são "uma vergonha", devido à lentidão da Justiça comum e dos órgãos da justiça desportiva, respectivamente.

Em entrevista à Agência Lusa, Hermínio Loureiro considerou que "o processo 'Apito Dourado' é uma vergonha para a Justiça", pelo que uma das suas "primeiras medidas" vai ser pedir "uma audiência com carácter de urgência" ao novo Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro.

"Vou querer falar olhos nos olhos com o senhor Procurador-Geral da República e pedir-lhe que tudo seja esclarecido rapidamente quanto ao processo 'Apito Dourado'", disse, garantindo querer que a verdade seja "claramente" apurada, "sem branqueamentos nem falsear rigorosamente nada".

O ex-secretário de Estado do Desporto, hoje empossado como presidente da Liga, no Porto, justificou a intenção afirmando que "o futebol português não pode viver em suspeição plena", porque isso "não ajuda o negócio, não ajuda a indústria".

"O processo 'Apito Dourado' é, neste momento, uma vergonha, como, infelizmente, há outros processos fora do âmbito desportivo que são uma vergonha. Por isso, a Justiça vai ter, seguramente, de actuar de forma diferente", sublinhou, criticando a lentidão dos processos judiciais.

Segundo Hermínio Loureiro, para ajudar a acelerar o processo, a Liga só pode "mostrar toda a disponibilidade e contribuir para o esclarecimento da verdade".

Questionado sobre se os árbitros envolvidos naquele processo por corrupção devem continuar em actividade, disse querer "aguardar com toda a serenidade", mas garantiu: "O que vou pedir a todos [os órgãos da Liga] é que se actue em conformidade com os regulamentos e com as competências que temos".

"E espero que a situação seja totalmente esclarecida e com rapidez, para podermos, com normalidade, voltar a dar credibilidade e valorizar o futebol português. E que se fale menos de arbitragem e se fale mais das questões positivas", acrescentou.

Tal como acontece com o "Apito Dourado", Hermínio Loureiro considera que o "Caso Mateus" é "uma vergonha", porque os órgãos da LFPF e da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) não tomaram decisões "em tempo útil".

"Os regulamentos – existem porque foram aprovados pelos clubes – têm de ser cumpridos. Se, os órgãos da Liga e, posteriormente, da FPF, que foram chamados a tomar decisões sobre a matéria tivessem actuado em tempo útil, não estávamos hoje aqui a falar do 'Caso Mateus'", referiu.

Para o presidente da Liga, o processo que ditou a despromoção do Gil Vicente à Liga de Honra e comprometeu o início dos campeonatos profissionais é "uma vergonha" porque "se arrastou no tempo" e "houve decisões que foram sucessivamente adiadas", pois "ninguém queria decidir".

"Não estou a querer descartar responsabilidades dos [outros] órgãos da Liga. O que quero dizer é que à Comissão Disciplinar (CD) da Liga competia tomar a decisão em tempo útil e isso não aconteceu.
Aliás, todas as peripécias que estiveram associadas a esse caso são lamentáveis"
, disse.

Manifestando total confiança em que a nova CD, presidida por Ricardo Costa, tomará as suas decisões "em tempo útil", Hermínio Loureiro evitou comentar as mútuas acusações de falta de ética entre os anteriores membros do órgão, limitando-se a afirmar que vai "implementar um código de conduta" na Liga.

Como a celeridade das decisões da CD é decisiva para as tornar eficazes – aquele órgão existe "para resolver problemas, não para criar problemas" –, o presidente da Liga pede aos seus membros para as tomarem "em tempo oportuno" e coloca a hipótese do recurso aos meios electrónicos para acelerar os processos.

"Sabe-se que muitas vezes há a dificuldade até do contacto e têm que se fazer milhares de quilómetros para um atleta, um agente, um dirigente ser ouvido", disse, para justificar a utilização das novas tecnologias.

Hermínio Loureiro acredita que haverá "seguramente muito menos casos no futebol português" se a justiça desportiva actuar "no tempo certo", frisando: "Eu não quero, em nenhuma circunstância, ver transportados para a justiça desportiva os vícios da Justiça [comum]".

"Nós temos uma Justiça lenta e eu não quero que a justiça desportiva seja lenta. Quero que a justiça desportiva seja célere e possa, inclusive, ser um exemplo para outros", afirmou.