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Atualidade / Arquivo

Apenas 5 mil imigrantes votam em Portugal

A julgar pelos imigrantes que residem em Portugal, vai haver muitos votos nulos nas eleições presidenciais brasileiras de hoje. O PT perdeu muitos votos com o "mensalão", mas é unânime que Lula da Silva vai ganhar.

Hoje, 125, 9 milhões de brasileiros vão decidir quem vai ser o seu novo Presidente da República. A contagem dos votos começará às 18h, e é provável que ainda à noite seja conhecido o nome do candidato que vai governar o Brasil nos próximos quatro anos. As sondagens apontam para uma vitória do actual dirigente, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT-Partido dos Trabalhadores, apesar dos sucessivos escândalos que envolveram alguns membros do seu Governo, entretanto já afastados do poder.

Os principais adversários de Lula da Silva são a ex-ministra do Ambiente, Heloísa Helena, senadora do recém formado PSOL-Partido Socialismo e Liberdade (formado por dissidentes do PT), e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckimin, candidato do PSDB-Partido da Social Democracia Brasileira, de centro-direita, que prometeu baixar os impostos e baixar as taxas de juro. A concretizar-se a previsão da Datafolha – segundo a qual 50% dos votos bastam para dar a vitória ao candidato petista – não haverá segunda volta, marcada para o dia 27.

Apesar da obrigatoriedade do voto no Brasil, apenas cerca de cinco mil dos 100 mil brasileiros residentes em Portugal estão inscritos como eleitores. O que significa que mais de 90 mil imigrantes vão ter de justificar a ausência nas eleições.

O que pensam os imigrantes

O EXPRESSO ouviu alguns dos imigrantes brasileiros sobre a sua intenção de voto. E os seus depoimentos demonstram que alguns continuam fiéis ao PT. Como o dentista Vital Bezerra, que se decidiu novamente por Lula  – “o único candidato preocupado com a desigualdade social” – após ler um manifesto do cantor e compositor Chico Buarque de Holanda a favor do candidato petista.

Também há  muitos ex-petistas em Portugal que se afastaram do partido por causa dos sucessivos escândalos de corrupção. O caso, por exemplo, de Sarah Negreiros, que depois de ter sido filiada no partido (já não o é) e de ter feito campanha por Lula nas eleições passadas, vai agora “anular o voto”.

Heliana Bibas, presidente da Casa do Brasil, que ajudou a fundar o PT, não é tão radical quanto o seu marido, o engenheiro Carlos Henriques Vianna, que afirma: “Lula nunca mais”. Embora o seu partido “de coração” continue a ser o PT, se pudesse votar nestas eleições (os seus direitos políticos estão suspensos no Brasil), Heliana optaria por um “voto de protesto”, na candidata do PSOL para “fiscalizar o Governo e o PT”.

Há, também, os que nunca dariam o seu voto a Lula e que não nutrem qualquer simpatia pelo PT, nem por qualquer dos candidatos. O caso do cabeleireiro Moreno, para quem “Lula está mentindo quando diz que não sabia da corrupção. E se um governante não sabe o que se passa no seu Governo, não tem capacidade para governar”.

Outros, optaram por não vão votar. Alessandra Pereira, além de já não gostar de Lula enquanto Presidente porque considera que a vida no Brasil piorou, acha que, estando a morar em Portugal, além de conhecer melhor os políticos portugueses, defende que quem tem o direito de escolher o seu governante são os brasileiros que moram lá e não os imigrantes. Rosemary Silva, por sua vez, diz que a sua residência não saiu a tempo de se recensear, mas se pudesse votar, mesmo assim “não me ia dar ao trabalho, porque nenhum dos candidatos vale a pena”.

No Brasil, todo cidadão alfabetizado, maior de 18 anos e menor de 70 anos tem de votar, sendo o voto facultativo apenas para os jovens entre 16 e 18 anos e para idosos, acima de 70. Apesar da obrigatoriedade do voto, dos cerca de 100 mil brasileiros residentes em Portugal, apenas pouco mais de cinco mil estão inscritos como eleitores, devendo comparecer nas urnas. O que significa que mais de 90 mil imigrantes vão ter de justificar a ausência, sob pena de serem obrigados a pagar uma multa e não poderem renovar o passaporte, entre outras penalidades.