Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Antigo ministro sul-africano condenado

A África do Sul continua a tentar viver com os velhos fantasmas do Apartheid. Adriaan Vlok, antigo ministro da Polícia, é uma dessas recordações, mas a sua condenação a 10 anos de prisão com pena suspensa não convenceu toda a gente.

Adriaan Vlok, antigo ministro sul-africano da Polícia, foi hoje condenado a 10 anos de prisão com a pena suspensa, depois de ter ficado provada a sua responsabilidade na tentativa de assassinato do Reverendo Frank Chikane.

Vlok preferiu assumir a culpa logo no início do julgamento, tentando assim garantir uma condenação mais branda por parte do tribunal de Pretória. Os quatro homens que fizeram parte dessa conspiração mal sucedida também foram condenados a penas suspensas.

Em 1989 os quatro homens tentaram matar Frank Chikane embebendo as suas roupas em gás tóxico, uma ideia que acabou por não ter os resultados previstos, pois o reverendo, na altura um importante contestatário ao regime de segregação racial, acabou por sobreviver.

Dezoito anos depois Chikane, que é actualmente director do gabinete presidencial, não guarda rancor aos seus verdugos e confessa que não queria que os homens fossem condenados. Este perdão já havia sido dado o ano passado quando Vlok – ao abrigo da Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR) que visa de forma pacífica reconciliar carrascos e vítimas da era apartheid  –, lavou os pés a Chikane num bíblico pedido de desculpas.

Um trauma, várias opiniões

Na praça pública as opiniões dividem-se e os protestos em Pretória não se fizeram esperar. De um lado as vítimas do apartheid que pedem uma justiça mais eficaz, do outro os africânder brancos que exigem que os lideres do Congresso Nacional Africano (ANC) também sejam responsabilizados pelos crimes cometidos durante o período mais negro da história da África do Sul.

“Enquanto a justiça preferir não investigar os lideres do ANC, que também cometeram crimes, todas as próximas acusações irão ser apontadas como uma caça às bruxas, onde a moralidade será parcial e selectiva”, podia ler-se numa declaração do grupo africânder de direitos humanos “Afri-forum”.

Contudo, quem sofreu na pele o horror do apartheid continua a exigir os criminosos sejam levados à barra dos tribunais: ”Como é que pode haver reconciliação se não houver justiça?”, questionou Zweli Mkhize, antigo activista do ANC.

Os especialistas no tema também têm uma opinião e alegam que estas acusações só impedem as feridas de sarar e reabrem velhas cisões e traumas.