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Atualidade / Arquivo

Antifascistas são recebidos com vivas ao ditador

De um lado os saudosistas do Estado Novo do outro a União de Resistentes Antifascistas Portugueses. A mistura podia ter sido explosiva, mas as armas utilizadas não passaram das palavras.

A União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), reunida no salão municipal de Santa Comba Dão para contestar a criação do Museu Salazar, foi hoje recebida na cidade com vivas ao ditador que governou Portugal entre 1932 e 1968. Do outro lado gritou-se a plenos pulmões “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”.

Enquanto os protestos subiam de tom, foram lançados dezenas de panfletos anónimos enaltecendo o legado de Oliveira Salazar. Com o título “Salazar, o obreiro e maior patriota português”, os folhetos defendem que “Salazar nasceu para a vida eterna” e que “a Nação portuguesa ficou empobrecida nos seus valores humanos” depois da sua morte. No texto pode-se ainda ler que o antigo estadista foi um “dos mais notáveis portugueses do mundo e o maior português deste século”.

Prevendo um cenário que podia facilmente ter extravasado para a violência, a GNR aumentou o seu contingente em Santa Comba Dão com cerca de 100 militares. Outra das razões para este aumento prendeu-se com uma reunião no Sabugal de grupos radicais de direita, alegadamente próximos de movimentos neonazis e neofascistas, cuja presença era esperada na cidade, o que não se veio a confirmar.

Petição dirigida à Assembleia da República

Na origem de todos estes acontecimentos está a ideia da câmara municipal de Santa Comba Dão em criar um museu dedicado a António Oliveira Salazar e ao Estado Novo.

A URAP numa demonstração contra este projecto organizou uma sessão de esclarecimento e repúdio, tendo colocado a circular uma petição, classificando a ideia da autarquia de “pólo de saudosismo do regime fascista, ilegal e opressor derrubado a 25 de Abril de 1974".A petição dirigida à Assembleia da República (AR), refere-se à hipótese da criação do museu como “absurda e inadmissível” e deixa claro que “não será um pólo de desenvolvimento do concelho de Santa Comba Dão”.

Os autores da petição afirmam ainda que “o museu seria centrado na propaganda do regime corporativo-fascista do Estado Novo e do ditador Salazar” o que iria constituir “uma afronta a todos os portugueses que se identificam com a democracia e o seu acto fundador de 25 de Abril de 1974”. O pedido termina com um apelo à AR para que “condene politicamente o processo em curso e que tome as medidas adequadas para impedir esse intento”.