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Amigos do São Carlos apelam ao primeiro-ministro

Descontente com processo de afastamento de Paolo Pinamonti da direcção artística do São Carlos, a direcção da associação de amigos do teatro lisboeta apela à intervenção de José Sócrates.

A direcção dos Amigos do São Carlos qualificou de "abrupta e desrespeitosa" a forma como se processou o afastamento de Paolo Pinamonti da direcção daquele Teatro e apelou a uma "intervenção pessoal do primeiro-ministro".

Num comunicado à imprensa, assinado pelo musicólogo Rui Vieira Nery, manifesta-se preocupação pelo "vazio de poder agora criado no São Carlos, com o anúncio da contratação de um director ausente, que pouco mais poderá assegurar do que uma função de programador itinerante". A esta situação soma-se o facto de o vazio acontecer "num momento crucial da fusão do teatro com a Companhia Nacional de Bailado no quadro do novo figurino orgânico da Opart (Organismo de Produção Artística), cujas linhas gerais ainda se desconhecem".

No mesmo documento, os Amigos do São Carlos confessam-se "apreensivos" no que toca às linhas gerais esboçadas pelo Ministério da Cultura para o futuro do único teatro lírico do país: "Os objectivos de um teatro nacional português integrado na rede europeia de produção operática não podem confundir-se com a missão específica de um espaço de formação avançada e profissionalização para jovens intérpretes".

Recorde-se que o secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, referiu, numa conferência de imprensa realizada ontem em Lisboa, pretender "a captação de novos públicos" e "oportunidades para jovens artistas", apostando "nos portugueses que ainda não chegaram à ópera".

Por fim, critica-se a vontade expressa da tutela de multiplicar o número de récitas, o que "só seria possível com meios orçamentais que consabidamente o Ministério não está em condições de garantir, a não ser à custa da degradação acentuada do nível qualitativo das produções".