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Ameaçada de morte, Linda de Suza pede ajuda à embaixada em Paris

Linda de Suza apresentou queixa em França por "usurpação de identidade" e roubo de milhões. Garante ter reunido "todas as provas", diz ter recebido ameaças de morte e pede ajuda à embaixada portuguesa em Paris.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)

É uma história de tal forma inacreditável que mais parece ser o argumento de um cruel filme negro. Linda de Suza, que facturou milhões e milhões no mundo do espectáculo em França, entre os anos 1970 e 1990, encontra-se hoje arruinada e diz não receber "quase nada" de direitos de autor nem da Caixa francesa de Aposentações.

A intérprete e autora do livro "A mala de cartão", que vendeu milhões de exemplares no mundo inteiro e cuja vida, nos anos 1980, foi comparada a um conto de fadas, dando inclusivamente origem a uma série televisiva, disse esta manhã ao Expresso que só muito recentemente recebeu das mãos de um polícia francês as provas do inconcebível roubo de que terá sido alvo.

Documentos duplicados

"Falsificaram os meus documentos, atribuíram-me dois números de cartão de residente e de segurança social em França, modificaram mesmo a data da minha chegada a França, pondo 1979 quando eu cheguei em 1970, e, desse modo, desviaram o meu dinheiro abrindo contas secretas que eu desconhecia, uma no banco Rotschild, em Paris, e outras no Luxemburgo", afirma Linda de Suza ao Expresso.

"Eu na altura era ingénua, era muito humilde, acreditava nas pessoas e não controlava nada da contabilidade e do dinheiro que ganhava com os discos, os espectáculos, o livro, os filmes", acrescenta.

Devido ao facto de os seus produtores da época (Carrère) não terem, alegadamente, declarado praticamente nada do que Linda de Suza ganhou, nem aos impostos nem à segurança social, a cantora não consegue sequer receber uma pensão de reforma - "Eu fui aos impostos, fui a todo o lado, fui à Caixa de Aposentação dos artistas e comprovei que 'eles' falsificaram tudo!", explica.

Ameaçada de morte por "eles"

Algumas fontes, em Paris, dizem que Linda de Suza vive hoje com menos de 30 euros por mês, mas ela recusa-se a confirmar ou desmentir esta informação.

A emigrante e cantora portuguesa assegura ter recebido ameaças de morte e pedido protecção à polícia francesa. "Hoje apenas saio com guarda-costas e fui ameaçada de morte porque 'eles', os produtores, os banqueiros e os funcionários envolvidos neste roubo, têm medo do escândalo", afirma. 

«A embaixada e o consulado têm o dever de apoiar os portugueses - eu sou portuguesa e nunca pedi a nacionalidade francesa», pede Linda de Suza

«A embaixada e o consulado têm o dever de apoiar os portugueses - eu sou portuguesa e nunca pedi a nacionalidade francesa», pede Linda de Suza

Gesco/Arquivo «A Capital»

Simultaneamente, Linda de Suza contactou a embaixada de Portugal, aguardando que lhe seja concedida a audiência que pediu na semana passada ao embaixador Francisco Seixas da Costa.

O diplomata português confirma o pedido de Linda de Suza, tendo enviado ao Expresso a seguinte nota: "A embaixada foi telefonicamente contactada pela Senhora Linda de Suza, bem como por um seu representante, sobre questões relacionadas com alguns seus alegados problemas de natureza pessoal. Foi aconselhada a transmitir às autoridades policiais e judiciais francesas as suas queixas, por se tratar de questões do foro privado, e de, eventualmente,  recorrer à ajuda das entidades consulares portuguesas em França, para tudo quanto caiba na esfera de competência destas".

Até ao fim, sem medo

Linda de Suza, que nasceu na miséria em 1948, numa aldeia alentejana do distrito de Beja, emigrou aos 22 anos, clandestinamente, e com um filho nos braços, para França, onde protagonizou uma história de surpreendente êxito que correu o mundo. Depois de ter sido uma humilde emigrante mulher-a-dias, tornou-se, na década de 1980, uma das artistas que mais discos vendeu em França.

Revoltada, Linda de Suza garante manter-se com "coragem para ir até ao fim" e aguarda pela resposta do embaixador. "A embaixada e o consulado têm o dever de apoiar os portugueses - eu sou portuguesa e nunca pedi a nacionalidade francesa - e eu quero que o embaixador veja o dossiê que tenho em meu poder e que me apoie nas minhas demandas junto das autoridades francesas", acrescenta.

"Eu estou bem de saúde, tenho força, Deus está comigo e não tenho medo!", concluiu Linda de Suza.