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Alunos a cadeado

Este foi um dia de greve e ‘manifs’ festivas para alunos do secundário. Mas a Direcção Regional de Lisboa registou apenas três casos na cidade de Lisboa e 18 na sua área de influência. Para o director regional as situações foram "esporádicas".

“Dia d greve d alunox kontra ax aulax d substituição. Kuantos + melhor”. A mensagem que João Alves, do 9.º C, enviou aos seus colegas, via telemóvel, surtiu efeito. Às 7h30 da manhã, ele e mais cerca de 150 alunos juntaram-se em frente à Escola EB 2,3 São Bruno, em Caxias, num coro de protestos. O portão esteve fechado a cadeado até à chegada da PSP, uma hora mais tarde – nem o cordão humano de sub-15 impediu que os agentes da polícia cortassem as correntes. Às onze, foi hora de dispersar. A maioria dos estudantes decidiu ir para casa – o dia de aulas já estava perdido – mas houve quem ficasse no estabelecimento de ensino, a jogar futebol ou a tocar guitarra.

João veste uma t-shirt branca, por cima da camisola, com palavras de ordem escritas a caneta de feltro. Não é um grevista acidental: “Não pretendemos acabar com as aulas de substituição. Mas pelo menos, coloquem professores da mesma disciplina para podermos fazer a revisão da matéria”, defende. O rapaz de 14 anos e o seu colega de turma, Rafael Antunes, queixam-se que na maior parte das vezes são obrigados a passar essa hora a jogar às cartas, porque o professor que substitui o colega faltoso não está a par do programa: “Nunca temos nada para fazer. É uma perda de tempo. A ministra tem de fazer qualquer coisa.”

Às 15h15, o toque da campainha na escola de Caxias marca o fim das aulas para o 9.º C, mas ao contrário de um dia normal, não se vêem correrias de alunos a sair pelo portão. Tal como no período da manhã, quase ninguém compareceu às aulas. “Tivemos falta não justificada. Mas foi por uma boa causa”, contam, com despreocupação. Ainda não estão ‘tapados’ por faltas.

Trânsito fechado

No Dia da Greve Nacional de Alunos, 16 de Novembro, o cenário repetiu-se um pouco por todo o país: escolas encerradas a cadeado e protestos marcados por SMS ou fóruns da Internet. Para além de criticarem as aulas de substituição, os estudantes do ensino secundário manifestam-se contra os exames nacionais e os elevados custos do ensino.

A Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) registou apenas 18 escolas com problemas na sua área de influência que engloba os concelhos de Lisboa, Setúbal e Leiria. "Foram situações esporádicas", garantiu ao EXPRESSO o director regional, José Leitão que esclareceu ainda que os 420 conselho executivos da região foram ontem notificados sobre a iniciativa em preparação e avisados de que qualquer tentativa de obstrução do acesso às escolas devia ser participada às autoridades e encarada como crime público. Todas as situações participadas à DREL – três das quais na cidade de Lisboa – "foram resolvidas nas primeiras horas da manhã", acrescentou o director regional que garantiu que o normal funcionamento das aulas não foi afectada pela iniciativa espontânea dos estudantes.

Na Avenida 5 de Outubro, junto ao Ministério da Educação, o trânsito chegou a estar cortado de manhã, devido à concentração de cerca de 400 alunos, que gritavam palavras de ordem como: “Eu não vou daqui para fora enquanto a ministra não se for embora”. Apesar das ordens da DREL, até ao final do dia, a PSP só registou uma agressão de um aluno de 15 anos a um agente, na Escola Básica de 2.º e 3.º ciclos Gonçalves Crespo.