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Alfa Pendular mais rápido para o Algarve

Comboio Alfa Pendular vai ficar mais rápido entre Faro e Lisboa após a inauguração de um troço junto a Alcácer do Sal. Nova via faz parte da ligação Sines-Elvas.

Mário Lino, correspondente no Algarve (www.expresso.pt)

À primeira vista, poderia pensar-se que gastar 159 milhões de euros para reduzir dez minutos na duração de uma viagem de comboio é demasiado.

Perto de 16 milhões por minuto a menos, na ligação entre Lisboa e Faro, pela construção da nova variante de Alcácer do Sal, seria muito não fosse esta variante ser também utilizada como ligação entre Sines-Elvas-Madrid-Paris, num eixo europeu de mercadorias, que obrigará a obras avultadas na ligação ferroviária entre Portugal e Espanha.

Algumas ficarão ao abrigo do projecto de Alta Velocidade, mas outras, como a variante de Alcácer do Sal, estão já em fase de conclusão.

Abertura em Dezembro

Fonte da REFER adiantou ao Expresso que a partir da primeira quinzena de Dezembro a variante de Alcácer do Sal poderá abrir ao trânsito ferroviário e permitir encurtar a distância em tempo, uma vez que possibilitará aos comboios Alfa Pendular atingirem velocidades na ordem dos 220 kms/h nesse sector.

A CP ganha assim dez minutos no trajecto entre Lisboa e Faro, que passará a cifrar-se nas três horas, no serviço mais rápido. Segundo a empresa de transporte ferroviário, prevê-se que os serviços que utilizarão a nova variante sejam apenas o Alfa Pendular e os comboios de mercadorias (CP Carga).

Os comboios Intercidades e Regionais manterão a utilização do anterior percurso, com as mesmas paragens, incluindo a estação de Alcácer do Sal.

Acidente obrigou a estrear a linha mais cedo

A construção do troço de 29 quilómetros de extensão arrancou  em Fevereiro de 2007 e inclui uma nova travessia do Rio Sado, esta útlima orçada em 80 milhões de euros, a cargo da empresa Teixeira Duarte.

Os restantes 79 milhões dividem-se pelas empreitadas de construção da variante entre a estação do Pinheiro e o km 94 da Linha do Sul, a implantação da via férrea e catenárias, sinalização eléctrica, controlo de velocidade e telecomunicações.

As expropriações representaram três milhões de euros, cerca de 2% do total do investimento, financiado na ordem dos 70% com fundos da União Europeia.

A variante foi estreada no início deste mês, devido ao descarrilamento de um comboio de mercadorias, a 28 de Outubro, que obrigou a reparações na linha antiga.

Por causa das obras e da utilização condicionada da nova variante, ainda não certificada em termos de segurança, os comboios apenas podiam circular a 60 kms/h pelo novo percurso, dilatando as 3 horas e 10 minutos habituais em mais meia hora. O acidente ferroviário acabou por afectar também a circulação de mercadorias, face à inexistência de uma linha alternativa entre o Algarve e Lisboa/Norte devido a outras obras: na linha Funcheira-Ourique-Beja-Casa Branca.

O caso ficou entretanto resolvido e a circulação normal foi reposta no domingo.

Porto de Sines também ganha

Num panorama mais geral, segundo a REFER, a linha Sines-Elvas contribuirá para o reforço da competitividade do porto de Sines através da articulação com as plataformas logísticas do Poceirão e de Elvas, com os portos de Setúbal e Lisboa e com a ligação de Alta Velocidade Lisboa/Madrid.

O tempo de percurso da ligação entre o porto de Sines e a fronteira em Elvas será também encurtado, devido à redução do trajecto actual em 137 km, passando para 315 km. Esta ligação está orçada em cerca de 520 milhões de euros.