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Atualidade / Arquivo

Alemães indignados

Ministros do governo federal discordam da suspensão da polémica encenação da ópera “Idomeneo” por receio de ataques de radicais islâmicos.

O ministro federal do interior Wolfgang Schäuble classificou a decisão de suspender a ópera “Idomeneo” de Mozart, na Deutsche Oper, em Berlim, como “inaceitável e ridícula”. Schäuble, uma figura de peso da CDU, estabeleceu uma ligação entre os casos das caricaturas de Maomé, da controvérsia provocada pelo recente discurso do Papa e agora este caso, concluindo: “estamos a caminhar para a auto-censura”.

Kirsten Harms, Directora da Deutsche Oper (uma das três óperas existentes em Berlim) decidiu suspender a representação da ópera “Idomeneo” de Mozart, com receio de que a controversa encenação de Hans Neuenfels possa provocar reacções violentas por parte de elementos radicais islâmicos.

Teriam sido recebidas ameaças anónimas que alarmaram os responsáveis. Esta encenação foi aliás vaiada por uma parte do público logo na sua estreia em Dezembro de 2003. Numa cena, o Rei Idomeneo apresenta as cabeças decepadas de Poseidon, Jesus, Buda e Maomé, em cima da cadeiras. Isso desencadeou na altura um tumulto na ópera. O encenador Neuenfels é conhecido pelos seus trabalhos provocantes.

As reacções à decisão de suspender a ópera foram de indignação e consternação. O ministro da Cultura, Bernd Neumann, por seu lado, afirmou que “a liberdade artística e a liberdade de expressão estão em perigo”.

O próprio Wolfgang Bosbach, chefe da bancada dos democratas cristãos no Parlamento federal, declarou: “Capitulou-se frente aos terroristas”!

O encenador, Hans Neuenfels, considera que há um clima de “subserviência e histeria”. Os jornais alemães de ontem (quarta-feira) não falam de outra coisa; quase todos condenam a decisão, achando que a tolerância também pode ser exagerada.