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Alegre: "Estou pelo Estado Social, contra a tentativa de o substituir pelo Estado mínimo"

O histórico socialista falou durante pouco mais de 20 minutos, justificando a recandidatura pela convicção de que Portugal precisa

Eduardo Costa/Lusa

Manuel Alegre é, desde ontem à noite, oficialmente candidato à Presidência da República. Socialista que não renega as origens, afirmou-se suprapartidário, mas não neutro: "É preciso saber de que lado se está". (Veja vídeo SIC no fim do texto)

Cristina Figueiredo (www.expresso.pt)

A candidatura foi formalizada, ontem à noite, em Ponta Delgada, nos Açores, "ilhas de liberdade", perante Carlos César, líder do PS/Açores e presidente do Governo regional, apoiante de Alegre desde a primeira hora.

O histórico socialista falou durante pouco mais de 20 minutos, justificando a recandidatura "pela convicção de que Portugal precisa e, sobretudo, pelas gerações mais novas, frequentemente acusadas de desinteresse pela política".

Carlos César foi, de resto, o primeiro socialista a quem Alegre saudou na sua intervenção, referindo logo de seguida os nomes de Almeida Santos e de José Sócrates - óbvio indício de que já conta com o apoio do PS (apesar de a primeira reunião da direcção do PS para discutir o tema só estar marcada para a próxima segunda-feira).

Ser alternativa... a Cavaco

Expressando o desejo, que está na origem do projecto "Manuel Alegre 2011", de congregar toda a esquerda em torno da sua candidatura, saudou, por fim, "todas as forças de esquerda (...) que desejam um Presidente que seja uma alternativa, não de governo, mas de atitude, de pensamento".

Sem nunca mencionar o nome do seu provável adversário, o actual Presidente Cavaco Silva, Alegre quis deixar bem claras as diferenças que o distinguem do actual inquilino de Belém: "Ao Presidente não compete governar. Critiquei, desde o início o conceito de cooperação estratégica, que tem implícita a ideia de uma partilha de governação e, por isso, susceptível de gerar conflitos institucionais", começou por dizer.

Depois, sublinhou as últimas intervenções de Cavaco sobre a necessidade de "reponderação" das grandes obras públicas no actual contexto de crise: "A opção pelo investimento público (...) não pode estar a ser posta em causa por sucessivas intervenções susceptíveis de leituras políticas contrárias à coesão institucional". E, para que ficasse bem claro a quem se dirigia: "Em momentos de crise a obrigação dos responsáveis políticos é não entrar em pânico. E o papel do Presidente deverá ser o de promover a concertação".

"Não serei neutro"

Repetiu depois uma ideia que tem veiculado ao longo destes meses em que se assumira já como pré-candidato: ao Presidente "compete também ser o intérprete da Nação e o mobilizador das energias do país". Num período "de crise e desalento", "é urgente despertar a alma nacional", disse Alegre, sublinhando que o facto de a sua candidatura ser supra-partidária não significa que seja uma candidatura "neutra".

"Não serei neutro, como nunca fui, na defesa dos valores e princípios consagrados na Constituição da República", garantiu, não passando ao lado do tema revisão constitucional - uma bandeira que está a ser levantada pelo PSD, mas que o PS já elegeu como 'não prioritária'.

"É preciso saber de que lado se está. Eu estou pelo Estado Social contra a tentativa de o substituir por um estado mínimo", afirmou Manuel Alegre, num remoque que também pode ser entendido como destinando-se ao seu próprio partido.

Apelo aos jovens

O final do seu discurso dedicou-o aos jovens. Não para lhes pedir, como "muitos políticos têm o hábito em períodos eleitorais, para que se mobilizem e façam número nos comícios. Não é esse o meu intuito, nem o meu estilo".

O candidato, que apesar de ser avô, se arroga o direito de ser um jovem lutador ("como lutador, desculpem lá, não há ninguém tão novo como eu"), quer "ouvir os mais novos" e apela-lhes a que "assumam o vosso destino, ousem romper e propor, ousem combater pelos vossos direitos e pelo vosso lugar no vosso país".