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Al Gore e ONU recebem Nobel da Paz

O trabalho desenvolvido por ambos na divulgação das alterações climáticas resultantes da intervenção humana levaram o Comité Nobel a dar o prémio conjunto.

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos e o Painel Intergovernamental das Nações Unidas para as Alterações Climáticas acabam de ser distinguidos com o Prémio Nobel da Paz.

O Comité Nobel reconheceu os seus esforços na divulgação das alterações climáticas resultantes da intervenção humana, bem como o seu esforço para encontrar medidas para as combater.

"Estamos muito surpreendidos", acaba de afirmar em Genebra, Suíça, a porta-voz da rede da ONU composta por 2000 cientistas, distinguida esta sexta-feira. "Já ficaríamos muito felizes se o prémio tivesse distinguido apenas Al Gore, porque seria o reconhecimento do seu envolvimento neste assunto", disse Carola Saibante.

Constituído em 1988, este organismo da ONU desenvolve estudos científicos sobre os riscos da intervenção humana nas alterações climáticas.

Num relatório divulgado este ano concluíram que um terço de todas as espécies terrestres extinguir-se-ão se a temperatura do ar subir mais dois graus Celsius, em relação às médias registadas nas décadas de 80 e 90.

"Profundamente honrado"

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos também já reagiu. Al Gore disse que se sentia "profundamente honrado" com a atribuição do prémio Nobel da Paz.

"Sinto-me profundamente honrado por receber o prémio Nobel da Paz. Esta recompensa é ainda mais significativa ao ter a honra de a partilhar com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações - o mais distinto grupo científico que consagra o seu trabalho a melhorar a nossa compreensão sobre a crime do clima - um grupo cujos membros trabalham sem descanso e com dedicação há vários anos", declara Al Gore em comunicado.

"Estamos perante uma verdadeira emergência planetária. A crise do clima não é uma questão política, é um desafio moral e espiritual para toda a humanidade", sublinha.

Albert Arnold Gore Jr., 59 anos, foi vice-presidente da administração Clinton, entre 1993 e 2001. Em 2000 concorreu à presidência dos Estados Unidos, acabando por perder para George Bush, numa eleição marcada por uma polémica contagem dos votos.

Depois de perder as eleições, Al Gore virou-se para as questões ambientais. Em 2006 lançou o polémico documentário "Uma Verdade Inconveniente", com o qual seguiu a sua luta para travar o aquecimento global, tentando impor o problema, não como uma questão política, mas sim como um desafio global para a Humanidade. O documentário rendeu-lhe um Óscar.

Este ano, Al Gore lançou ainda o livro "O Ataque à Razão", onde critica a administração de Bush pela guerra enganosa no Iraque, pela espionagem telefónica ilegal e pela recusa em abraçar causas ambientais, como o combate ao aquecimento global. No livro, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, instiga também a população norte-americana a reagir contra as decisões tomadas pelo actual presidente, reforçando que a "democracia do país corre perigo".

"É o casamento perfeito. Por um lado, distingue-se uma personalidade que teve grande relevância na divulgação e mediatização das alterações climáticas, por outro reconhece-se o trabalho de uma vasta equipa que se tem dedicado à análise científica e à recolha de provas sobre os perigos do aquecimento global" Hélder Spínola, presidente da Quercus

"A proximidade deste Nobel da Paz com a Conferência de Bali, em Dezembro, que deve definir o caminho a seguir no futuro ao nível global em matéria de combate às alterações climáticas, pode ser um incentivo a que decisões concretas sejam tomadas e a que se despertem mais consciências, de mais países, para esta problemática ambiental global" Partido Ecologista "Os Verdes"

"Os seus contributos para a prevenção das alterações climáticas ajudaram a uma maior consciencialização em todo o mundo. O seu trabalho constituiu uma inspiração para os políticos e cidadãos" Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia