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Adoptar nem sempre é fácil

Quando a equipa de reportagem do EXPRESSO chegou ao albergue da União Zoófila,  situado em terrenos camarários de S. Domingos de Benfica, o primeiro animal que nos chamou a atenção foi «Miró», que se encontrava nos braços de uma voluntária que lhe desinfectava o focinho, na sequência de uma briga com outro cão. Esse rafeiro foi levado há mais de um ano para a União Zoófila por uma senhora que o encontrou na rua, na época da Páscoa. Na altura, «não tinha um único pêlo», dizem as tratadoras. Desde então, «Miró» está a ser tratado contra a leishemaniose (doença infecciosa). O mais provável, por ter mais de sete anos de idade e se encontrar doente, é que nunca venha a ser adoptado.

A maior parte dos animais adultos está condenada a passar o resto da vida no albergue, porque ninguém os quer. Como aconteceu ao «Amarelinho da box 98», o cão rafeiro que esta semana morreu «de velhice», dez anos depois de acolhido pela União Zooófila. Esta é também a situação do «Sr.Gordo» – assim chamado por sofrer de obesidade mórbida – que já está nessa instituição há mais de dez anos.

Outros, poderão ter de passar pelo trauma de abandonos sucessivos… Como o cão d`água «Brown», ainda revoltado com a má sorte que teve por regressar ao albergue sete anos e meio depois de ter sido adoptado por um casal que, entretanto, se divorciou. Ainda esta semana, um cachorro voltou a ser abandonado no albergue por ter alegadamente mordiscado uma criança, desta vez, devolvido pelo casal que o adoptara há poucos dias. 

Mas é também verdade que adoptar um animal não é tão fácil quanto parece. Pelo menos na União Zoófila. Esta foi a sensação com que ficaram Nuno e Rita, professores do ensino básico nos Açores, que após terem tido um cão, que morreu, querem  agora adoptar uma cadela. Inicialmente, não queriam animais de raça. Mas ficaram encantados com a cadela branca de manchas castanhas, «arraçada» de Pitbull. «Amor-à-primeira-vista», como disse o Nuno.

O EXPRESSO, que assistiu ao encontro dos três, confirmou que houve reciprocidade. A cadela também se mostrou apaixonada. No entanto, na hora de acertar os pormenores para a adopção, o Nuno e a Rita foram confrontados com uma série de empecilhos.

A responsável pelo canil foi taxativa: «a cadela 'cor-de-rosa' não sai do albergue, porque gosto de saber se os animais estão bem e nos Açores não a posso visitar;  porque não se vai acostumar fora de Lisboa; é meiga mas não se dá com outros cães; além do mais tem um problema dermatológico e vocês, como fazem todos, não a vão tratar. Só gostaram dela, não querem ver outras?»

De nada adiantaram os argumentos e contra-argumentos desses professores, que regressarão aos Açores sem a cadela. «Voltem no Natal, talvez ela já esteja disponível. Mas se (a cadela) já não estiver cá, sempre podem escolher outra. Temos muitas», disse-lhes Luísa Barroso.  Ao EXPRESSO, Nuno comentou: «nunca pensamos que fosse tão difícil adoptar um animal».