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Atualidade / Arquivo

Administração pública e sector privado desfilam até São Bento

Sob o lema “Juntos pela mudança de políticas”, a CGTP convocou uma manifestação geral que juntou trabalhadores de todo o País.

Perto de cem mil trabalhadores da administração pública e do sector privado desfilaram hoje por algumas das principais artérias de Lisboa em direcção à Assembleia da República. O objectivo foi mostrar ao executivo de José Sócrates o desagrado contra as medidas do Governo para o sector.

A CGTP optou por fazer duas grandes concentrações: o sector público, que se juntou nos Restauradores, e o sector privado, que saiu do Saldanha. Depois de se juntarem, os dois grupos desfilaram até São Bento, onde protestaram contra as políticas sociais e laborais do governo socialista.
Reivindicou-se o abandono do Sistema Integrado da Avaliação de Desempenho (SIADAP), a possibilidade de todos os funcionários atingirem o topo de carreira, aumentos salariais reais anuais, o acesso a concursos públicos e a aplicação do subsidio de risco, penosidade e salubridade.

Os largos milhares de manifestantes que, à sua passagem, iam interrompendo o trânsito na Avenida da Liberdade, Rua Alexandre Herculano ou Rua de São Bento, gritavam palavras de ordem como “trabalhar até morrer, assim não pode ser" ou "direitos conquistados não podem ser roubados".

Greve à vista

Ana Avoila, coordenadora da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (FNSFP), apontou o dedo ao executivo socialista que, acusou de estar “a promover o emprego sem direitos” e a “retirar direitos sociais aos trabalhadores”.

Avoila culpa o Governo de ter contribuído para o aumento do custo de vida e para uma maior pobreza e exclusão social, salientando ainda que medidas como a lei da mobilidade, o congelamento das carreiras ou o aumento da idade de reforma já foram implementadas, “ou estão a ser discutidas” no âmbito da Reforma da Administração Pública. “Isto tem de mudar”, indigna-se a sindicalista.

Por outro lado, Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, lamentou que o primeiro-ministro “não tenha escutado a manifestação do passado mês de Outubro" e prevê novas acções de protesto.

A promessa que a “luta continua” ficou feita e, nesse sentido, foi hoje aprovada uma resolução em que os manifestantes se disponibilizam a continuar a luta pelos seus objectivos e contra as propostas do Governo, que poderá mesmo passar pela realização de uma greve.