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Administração do Metro admite negociar

Os utentes do Metropolitano de Lisboa poderão voltar a ficar sem esse tipo de transporte. Os sindicatos dos trabalhadores do Metro reúnem-se amanhã  para decidir.

Cerca de 170 mil pessoas terão sido afectadas pela greve dos trabalhadores do Metro esta manhã em Lisboa – a segunda no espaço de seis dias – que provocou o congestionamento intenso do trânsito entre as 6h30 e as 11h, nomeadamente nas zonas do Cais do Sodré, Praça do Comércio, Marquês do Pombal e Sete Rios.  Entre 50 mil a 60 mil pessoas –  estimativas da administração do Metropolitano de Lisboa – utilizaram os transportes alternativos.

A paralisação obrigou a um reforço do efectivo de trânsito da PSP. Segundo o gabinete de relações-públicas do Comando Distrital de Lisboa, em comparação à greve do dia 21, “houve um agravamento da situação”, não tanto pela paralisação mas, sobretudo, devido “ao número mais elevado de autocarros de substituição” disponibilizados pelo Metro que provocaram filas de espera quilométricas. Informação que é contrariada pelo gabinete de Relações Públicas do Metropolitano de Lisboa, segundo o qual foram requisitados  225 casos, ou seja, o mesmo número de autocarros disponibilizados dia 21, "mas faltaram três". Sendo que "os custos directos com o serviço de transporte alternativo foram, aproximadamente de 100 mil euros para cada dia de greve".

A situação mais dramática registou-se em Sete Rios "onde os utentes à espera dos autocarros colocaram-se nas faixas de rodagem, interrompendo o trânsito". Uma das filas, numa extensão de cerca de 400 metros, ia do Centro Clínico de Sete Rios até à paragem junto ao Hotel Corinthian, na Avenida Columbano Bordalo Pinheiro. O trânsito só começou a normalizar a partir das 11h, revelou a PSP.

A julgar pelas estimativas da Federação dos Sindicatos dos Transportes Rodoviários e Urbanos (FESTRU), a adesão terá rondado “perto dos 100 cem por cento nas áreas de manutenção das instalações e dos comboios, bem como entre os trabalhadores dos comboios e das estações”, disse ao EXPRESSO o dirigente sindical Diamantino Lopes, acrescentando que no dia 21 a adesão "foi sensivelmente a mesma, atingindo em média os 98 por cento".

Confrontada pelo EXPRESSO, a entidade patronal, ou seja, o Metropolitano de Lisboa, disse que a adesão foi superior à do passado dia 21 (69,18%) mas terá rondado apenas os 70,28%.

Congestionamento sem acidentes graves

Apesar do trânsito caótico, não houve hoje acidentes de viação significativos em Lisboa. De acordo com a PSP, o trânsito poderá ter sido responsável por “alguns acidentes mas estes provocaram apenas danos materiais”.

Desde o início do ano, esta é a quarta paralisação dos trabalhadores do Metro de Lisboa pela prorrogação do Acordo de Empresa (AE). A primeira vez que cruzaram os braços  foi a 27 de Junho, seguida de nova paralisação dois dias depois. A adesão terá sido “perto dos 100 por cento nas áreas de manutenção das instalações e dos comboios,bem como entre os trabalhadores dos comboios e das estações”, disse ao EXPRESSO o dirigente da Federação dos Sindicatos dos Transportes Rodoviários e Urbanos (FESTRU), Diamantino Lopes. Já entre os trabalhadores do sector administrativo, terá rondado “os 75 por cento”.

De acordo com a administração do Metro, "a última greve no Metro que implicou paralisação dos serviços de transporte, excluindo as quatro deste ano, ocorreu em Dezembro de 2002".

Desta vez, está em causa a vigência do AE, que termina no final 2007, cuja prorrogação até 2011 é reivindicada pelos trabalhadores. Segundo os sindicatos, o fim deste acordo prevê a celebração de contratos individuais de trabalho que não asseguram os direitos dos trabalhadores, abrindo caminho à precariedade laboral.

No passado dia 18, os trabalhadores do Metro, convocados pelo Ministério do Trabalho, reuniram-se com representantes do Ministério dos Transportes e do Conselho de Gerência do Metropolitano.  Ficou então, marcada uma reunião para o dia 20 com a administração do Metro, na qual a empresa deveria apresentar uma proposta "de alteração da vigência do AE. Mas isso não aconteceu", disse Diamantino  Lopes.

Confrontada pelo  EXPRESSO, a administração do Metropolitano "reitera o que já propôs aos sindicatos em 20 de Setembro passado. Ou seja, total abertura para iniciar, de imediato, o processo negocial com vista à revisão" do AE.