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Adepto britânico extraditado para Portugal

Gary Mann, um adepto de futebol britânico que luta há dois anos para evitar a extradição para Portugal, vai embarcar amanhã num avião para Lisboa para cumprir uma pena de prisão decretada durante o Euro 2004

Gary Mann, um adepto de futebol britânico que luta há dois anos para evitar a extradição para Portugal, vai embarcar na quarta feira num avião para Lisboa para cumprir uma pena de prisão que considera injusta.      O antigo bombeiro vai seguir à tarde num voo da TAP até à capital portuguesa e depois seguirá para uma prisão não identificada, avançou a organização Fair Trials Internacional, que tem acompanhado o processo.      Gary Mann é esperado em Portugal para cumprir uma sentença de dois anos ditada num julgamento realizado um dia depois da sua detenção por alegada participação em distúrbios no Algarve, durante o Campeonato Europeu de Futebol em 2004.      O adepto da equipa inglesa foi detido a 15 de junho de 2004, julgado e considerado culpado no dia seguinte sem, alega, uma defesa jurídica adequada.

Mandado de detenção europeu 

Em 2008, as autoridades portuguesas emitiram um mandado de detenção europeu, que o tribunal de magistrados de Westminster deferiu em agosto de 2009.     Todavia, os advogados do cidadão britânico continuaram a tentar evitar a extradição, incluindo junto do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.   Mann mantém a inocência, argumentando que se encontrava com amigos num bar diferente daquele onde ocorreu a confusão com outros adeptos britânicos.   Em março, Alan Moses, um dos mais reconhecidos juízes do tribunal de alta instância [High Court], considerou "vergonhoso" o processo e criticou a atitude da justiça portuguesa por não mostrar disponibilidade para encontrar uma solução.  

"Desiludido" 

Gary Mann defendeu a necessidade de revisão da legislação europeia que regula os mandados de detenção europeus por considerar que não existem garantias suficientes para impedir injustiças.     Hoje, num comunicado, afirmou-se "desiludido pelos políticos que aprovaram as rígidas leis de extradição britânicas e o mandado de detenção europeu e pelos juízes que parecem não querer defender mais a justiça".     O mandado foi feito a pensar nos terroristas depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. "Por alguma razão fui apanhado na rede", lamentou.   "Não sou a primeira vítima deste sistema e até ser revisto não serei a última", advertiu.      *** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Clique para ler a Nota da Direcção do Expresso sobre o novo Acordo Ortográfico.