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Atualidade / Arquivo

Acordo torna possível Feira do Livro

A realização da Feira do Livro esteve por um fio mas vai mesmo realizar-se, depois de a APEL e o grupo editorial Leya, mediados pela Câmara Municipal de Lisboa, terem chegado a um acordo. Contudo, a inauguração foi adiada.

Alexandra Carita, António Guerreiro e Monica Contreras

A montagem da Feira, que a Câmara tinha interrompido, foi retomada a meio da tarde. O grupo editorial Leya participará com pavilhões de modelo diferente. Ainda assim, a autarquia decidiu adiar a inauguração.

Em comunicado enviado às redacções ao final da tarde pode ler-se: "a inauguração da Feira do Livro de Lisboa fica adiada para data próxima a anunciar na segunda-feira".

Alheio ao conflito institucional ao redor da Feira do Livro mas atento ao mercado do livro, o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, diz ver "com bons olhos" a constituição de monopólios editoriais.

"O mercado do livro está em mutação acelerada e a concentração de editoras em grupos empresariais é um factor de desenvolvimento da língua portuguesa e da sua divulgação", afirmou o ministro.

Dentro de duas semanas, a Leya deverá concretizar a compra do grupo que detém a Oficina do Livro ficando Pais do Amaral com 25% do mercado.

A guerra entre editores, em torno da preparação da Feira do Livro, tal como se tornou pública na última semana, já estava em curso nos bastidores desde Janeiro, quando a Leya apresentou uma proposta para participar na Feira do Livro de Lisboa com pavilhões diferentes.

Mas a APEL escondeu a proposta e nada fez para a resolver a questão, mesmo quando, há cerca de um mês, a distribuidora Sodilivros, a Coimbra Editora, a Assírio & Alvim, a Cotovia e outros editores, numa Assembleia de participantes da Feira, apresentaram também eles uma proposta que visava saber como é que a APEL ia responder às pretensões da Leya. Mas a proposta foi rejeitada e a resolução do problema continuou congelada.

Jorge Azevedo, da Sodilivros, resume a situação desta maneira: "Aquilo a que assistimos, não é a uma guerra entre Associações (entre a APEL e a UEP), cujas direcções estão completamente enfraquecidas, mas a uma guerra entre um conjunto de editores que na prática mandam na APEL - a Porto Editora, a Verbo, a Presença - e a Leya".

O resultado, ainda segundo ele, está à vista: "O grupo Leya aparece com uma imagem de inovadores contra os outros todos que aparecem como conservadores, quando na verdade vários pequenos editores têm tentado apresentar propostas de renovação da Feira". Na sua opinião, este grupo de editores que detém o poder na APEL têm tido uma acção mais prejudicial para os pequenos editores do que o grande grupo editorial.